Opinião
MAIS UM CARNAVAL
Depois de toda a folia, chega a quarta-feira ?ingrata?, em que o colorido do carnaval vira cinza e somos chamados a administrar os aspectos reais da vida cotidiana. Fim do reinado de Momo, da despreocupação com o trabalho, fim dos amores de carnaval. Aliás, isso já foi muito bem retratado nos versos de Edu Lobo, ao dizer: ?Hoje não tem dança / Não tem mais menina de trança / Nem cheiro de lança-perfume no ar / Hoje não tem mais frevo / Tem gente que passa com medo / Na praça ninguém pra cantar/?. Porém, esses belos versos não mais dão conta do carnaval da atualidade. A quarta-feira de cinzas transformou-se, para muitos, em apenas mais um dia na agenda carnavalesca. Um exercício simples é pensar nas famílias que estão hoje chorando o resultado dessa festa profana, de trio mais do que elétrico, abastecida por álcool, drogas e sexo irresponsável, bastante reverenciado nessa folia. É verdade que isso está presente nos outros dias do ano, mas, também, é verdade que o carnaval estimula e proporciona um aumento vertiginoso do consumo de álcool e drogas, criando situações favoráveis a deslizes indesejáveis. Permitam-me que, antes de entrar em outros pontos negativos que extrapolam no carnaval, possa falar de pontos positivos: os Seresteiros da Pitanguinha que veem resgatando a memória do carnaval das marchinhas, e marcam o glamour de uma bela festa carnavalesca. São joias preciosas, expressão de ritmos e alegria; e o Pinto da Madrugada que se amplia a cada ano, reedição que conta com a adesão dos que gostam do bom carnaval. O Baile Municipal foi exemplo de organização, diversão e primoroso gosto. Os folguedos populares e blocos de rua, saíram no bairro de Jaraguá, deixando saudades dos momentos do melhor lazer. Mas voltemos às reflexões anteriores. A quantidade de mortes no trânsito, consequência dos que exageram na bebida e vão dirigir, e daqueles que dirigem com todo o cuidado, em companhia de seus familiares, seguindo ou retornando de algum descanso merecido, mas que são vítimas dos que bebem. É necessário alertar aos jovens e aos adultos para o jogo de manipulação do consumo, e também para o sutil manejo psicológico a que são submetidos, diariamente. As propagandas superam-se em sedução, fazem com que todos acreditem que devem optar por esse modelo de fictícia felicidade. Os bons momentos de lazer e de descanso, aproveitados longe da folia com boa leitura, boa companhia, são melhores e mais significativos.