Opinião
Tempos de medo
Nos últimos meses, uma facção fundamentalista islâmica que emergiu na Síria e estendeu braços até o Iraque tem apavorado o mundo. Beneficiados pela fraqueza e do estado iraquiano e pela guerra civil síria, o Estado Islâmico ganhou força e conquistou novos territórios, espalhando o terror a partir da dizimação de minorias étnicas. Além disso, tem chocado o mundo com a execução cruel de vítimas inocentes. O avanço relâmpago do Estado Islâmico sobre a Síria e o Iraque não chama a atenção apenas como vitórias militares, mas também pela velocidade com que seus membros começam a formar um Estado viável. Apesar de fundado na Jordânia, o grupo desenvolveu-se no Iraque, na resistência à invasão dos Estados Unidos e aliados. A invasão do Iraque pelos EUA e o consequente desmantelamento do Estado iraquiano são o ponto de partida para compreender as razões da origem do grupo. Um dos motivos de sua ascensão no Iraque deve-se ao fato do crescente alijamento da população de sunitas. Cerca de 20% dos iraquianos, em torno de 6 milhões nas províncias sunitas, foram excluídos do regime. Eles são constantemente perseguidos, não conseguem trabalho. Trata-se de uma verdadeira punição coletiva de jovens desempregados nas aldeias que não têm alternativa a não ser aderir ao ISIS Notadamente, o terrorismo no mundo recrudesceu desde a invasão do Iraque, que foi o combustível que faltava aos radicais islâmicos que já identificavam o ocidente como seu grande inimigo. É preciso ressaltar, porém, que o islamismo atual como um todo não representa o ideal fundamentalista. Há valores importantes nele, como o respeito à família, a caridade, o patriotismo, a solidariedade e a devoção. E muitas comunidades muçulmanas no mundo são exemplo de tolerância e virtude. Infelizmente, o contrário também é verdadeiro. Agora, os Estados Unidos e seus aliados se encontram diante de um desafio colossal: combater a organização terrorista que mais recebe financiamentos graças aos rendimentos do petróleo e ao dinheiro de resgate e extorsões. Para isso, é necessária uma estratégia regional, a qual teria de incluir países como Rússia, Irã ? outrora inimigo dos EUA ? e até mesmo o governo de Assad na Síria. Só assim seria possível superar esse desafio que o EI está impondo.