Opinião
Equivocado
Li o artigo do Dr. José Nabuco Filho, defendendo a liberação das drogas e acusando meu projeto de lei de propor ?sandices? ao querer aumentar a pena para o tráfico. Gostaria de esclarecer. Ele parte de princípios equivocados, ignora a experiência histórica e a ciência. Como médico e ex-secretario de Saúde do Rio Grande do Sul, afirmo que as drogas são o pior problema de Saúde e de Segurança hoje no país. São a maior causa de morte e invalidez da juventude. Vivemos uma epidemia que atinge todas classes sociais e rincões do Brasil. A dependência química é uma doença crônica e irreversível do cérebro. O dependente tem que fazer um enorme esforço diário para não recair. Ao contrário do que diz o jurista, os danos causados pelas drogas não se limitam apenas ao viciado. A família sofre com seu drama, sendo vitimada pelo seu comportamento alterado, incapacidade de manter uma vida produtiva e de responsabilidades compartilhadas. Não raro a família se desestrutura. A sociedade também sofre. O aumento de furtos, assaltos e latrocínios acompanha o crescimento do número de dependentes, sem contar o custo aos contribuintes com o tratamento. O número de suicídios, homicídios por discussões banais e de acidentes de trânsito com mortos também cresce geometricamente. A liberação só agravaria isso. O álcool é a maior causa de violência doméstica por ser legal e de fácil acesso. Na maior parte da história humana, as drogas foram liberadas. A partir do séculos 18 e 19 é que começou-se a entender a relação de enormes tragédias familiares e sociais com o seu consumo aumentado, e os países começaram a restringir. China, Indonésia, Japão, Suécia são exemplos de países que tiveram as drogas livres até meados do século 20. Em função dos graves problemas sociais, saúde e segurança as proibiram com muito rigor, reduzindo a violência e as doenças provocadas por elas. Não existe novidade na liberação das drogas, a humanidade já teve uma longa e catastrófica experiência! Por isso, hoje, todos os países as proíbem. Propostas localizadas de amenizar a proibição, como a de Portugal, fracassaram. O problema não está só no tráfico, mas principalmente nos transtornos mentais que elas causam e que são responsáveis por comportamentos impulsivos e de risco para todos, usuários ou não. Reduzir sua oferta e procura é o que de melhor podemos fazer pelos nossos jovens.