Opinião
Tr�nsito mortal
O carnaval de 2015 foi considerado o menos letal dos últimos oito anos. O número de mortos, feridos e de acidentes registrados nas estradas brasileiras caiu em relação ao carnaval de 2014, de acordo com os dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). A redução de acidentes chegou a 22%, houve 18% menos feridos e o número de mortos caiu 28% na comparação dos dois carnavais. Em Alagoas, a queda foi ainda mais expressiva. No ano passado, foram registrados 16 acidentes graves. Já este ano, foram apenas 3, uma redução de 78%. Com isso, Alagoas foi o estado que apresentou a maior queda do País. Sem dúvida, esses números devem ser comemorados, pois as estatísticas mostram que, no Brasil, a violência no trânsito é a segunda maior causa de morte no país, à frente até de homicídios. Entre os fatores apontados para justificar essa realidade estão a precariedade das estradas, a infraestrutura deficiente, a falta de ciclovias e as falhas na sinalização. Também se costuma afirmar que os carros vendidos no Brasil estão longe dos padrões de segurança adotados em países desenvolvidos. Tudo isso não deixa de ser verdade, mas o problema maior esteja entre o painel do veículo e o banco, ou seja, está no condutor. Grande parte dos desastres viários no país é resultado de uma combinação de irresponsabilidade e imperícia. Além de o poder público ser ineficiente na aplicação das leis, os brasileiros parecemos ter uma inclinação cultural para burlar regras. Além disso, falta uma maior atenção à formação de motoristas e pedestres. Uma fiscalização eficiente e constante pode coibir condutas de risco. Quando se fala em imperícia, o caso do Nordeste chama a atenção. A região vem registrando grande número de acidentes de moto. A melhoria de renda da população e as facilidades de crédito nos últimos anos resultaram na proliferação das motocicletas, principalmente nas pequenas cidades. São milhares de pessoas, inclusive menores de idade, conduzindo suas motos sem a devida habilitação, sob a complacência do poder público. A consequência é o grande número de mortos e feridos em acidentes. Campanhas educativas por si sós não têm bastado para mudar essa realidade. É preciso treinar melhor os condutores e forçá-los a respeitar as regras de trânsito.