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“EU VIM PARA SERVIR”

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Imediatamente após a posse do Papa Francisco e suas primeiras manifestações públicas demonstrando carisma, inteligência e humildade, escrevi nesta coluna que a inédita renúncia do seu antecessor Bento XVI foi uma providência divina. O mundo religioso, particularmente os católicos, precisavam de um choque que acendesse a esperança e a luminosidade da fé. O povo de Deus em todos os continentes estava dominado pela apatia de uma igreja literalmente ortodoxa, preconceituosa, fora do tempo. Não é por acaso que qualquer mercenário que ocupou espertamente esta lacuna transformou abrigos em templos extraordinários, milionários, anunciando supostos ?milagres?. Embustes usurpadores do desespero de pessoas e famílias que no clímax da desesperança doam o que não têm em busca da salvação e da melhoria do seu bem estar financeiro. A Campanha da Fraternidade deste ano lançada pela CNBB já transpira esse novo momento estimulado pelas atitudes do novo líder da revolução católica. ?Eu vim para servir?, foi o tema escolhido que objetiva aprofundar o diálogo e a colaboração entre igreja e sociedade como serviço ao povo brasileiro. Fé e devoção fazem bem ao espirito e ao estado físico do ser humano. Estão lhes faltando mensageiros que não aterrorizem os crentes com o velho discurso de pecado e inferno. O fogo dessas profundezas já queima todos os dias em todos os lugares, com guerras insanas por motivos religiosos matando milhares de inocentes nos seis continentes em nome de Deus. Violência nas ruas, humilhação contra as mulheres, a incontrolável discriminação racial, homofobia indisfarçável. A banalização da vida e a droga mutilando crianças e adolescentes enquanto a corrupção vai dilapidando o nosso patrimônio e apertando a corda do já sufocado trabalhador brasileiro. Até o lazer do futebol nos finais de semana agora virou campo de batalha com cacetes e armas assassinas. Reconquistar os seus mais de 124 milhões de seguidores no Brasil, a maior nação católica do mundo e ainda atrair novos rebanhos é o início de uma nova e difícil missão. Mesmo com a luz esplendorosa chamada Francisco, que, surpreendente segue quebrando paradigmas e tabus contrariando os preceitos mais rígidos da Igreja de Roma.

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