Opinião
CRIMES NO TR�NSITO
Meses atrás, a vítima foi o estudante Fabrycio Melo, filho do meu amigo Flávio, atropelado e morto em plena faixa de pedestres, na avenida Fernandes Lima. Não foi acaso nem um mero acidente. Fabrycio morreu tragicamente, com apenas 13 anos, cheio de sonhos e ideais, golpeado pela irresponsabilidade de um sujeito que dirigia em alta velocidade, transitando ilegalmente pela faixa azul, e que avançou o sinal vermelho, ao contrário de todos os outros carros que pararam, fugindo sem prestar nenhum socorro ao menor. Há poucos dias foi o advogado Daniel Monteiro, também meu dileto amigo, morto aos 56 anos por um inconsequente que ?voava? a mais de 170 km de velocidade na avenida Amélia Rosa, desrespeitando o semáforo fechado. Ambos os crimes foram filmados pelas câmeras de segurança instaladas no local, e as imagens chocam pela violência. A afirmativa pode soar forte, mas lamentavelmente é verdadeira: Fabrycio e Daniel foram assassinados. Duas vidas ceifadas em pleno vigor pela atitude criminosa de motoristas que se julgavam acima do bem e do mal, trafegando em altíssima velocidade e sem nenhum respeito às leis de trânsito. Familiares e amigos lançados num turbilhão de sofrimento e dor, tragédias que poderiam ter sido facilmente evitadas. Qual adjetivo pode ser utilizado para definir alguém que faz tão pouco caso da vida humana, que trata o seu semelhante com tanto desdém, com tamanha desimportância? O fato é que esses elementos existem aos montes, e estão andando ao nosso lado, infestando as ruas de Maceió. Não é difícil vê-los cantando pneus, ziguezagueando entre veículos e subindo pelas calçadas, senhores absolutos do espaço público e privado. Desrespeitam placas de trânsito e rasgam as leis, expondo todos nós, e os nossos entes queridos, à fúria assassina da sua insensatez, que cada vez mais faz vítimas inocentes. Dois crimes imperdoáveis, que nos enchem de indignação e nos impulsionam a exigir o mais absoluto rigor na punição daqueles que os cometeram. Os familiares de Fabrycio e de Daniel possuem boa condição econômica e social, e podem lutar por justiça e não permitir que as suas mortes caiam no esquecimento. Mas quem clamará pelos pobres que morrem atropelados diariamente, anônimos que tingem de sangue as nossas avenidas? Quem chorará com as viúvas e com os órfãos entregues à própria sorte, tornados mera estatística e singelas notas nas páginas policiais?É uma pergunta que não quer calar, e que está à espera de uma resposta convincente.