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Est�mulo perigoso

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A Câmara dos Deputados aprovou, ontem, projeto de lei do Senado que tipifica como crime a venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos. O projeto prevê detenção de dois a quatro anos e multa de R$ 3 mil a R$ 10 mil pelo descumprimento da proibição. O projeto aprovado torna crime vender, fornecer, servir, ministrar ou entregar, ainda que gratuitamente, de qualquer forma, a criança ou adolescente, bebida alcoólica. Pesquisas mostram que, no Brasil, o consumo de bebidas alcoólicas entre os jovens tem se iniciado por volta dos 12 anos de idade, na pré-adolescência, o que causa grande preocupação. Outra mudança de comportamento é que as meninas também já bebem tanto ou mais que os meninos. Os números de problemas associados ao álcool no Brasil não deixam dúvida quanto ao potencial devastador deste, principalmente junto aos jovens. Em acidentes com motoristas alcoolizados, episódios de violência relacionado ao álcool e intoxicação alcoólica, os jovens têm uma participação importante. As propagandas e marketing das bebidas alcoólicas no Brasil são parte integrante da criação de um clima normatizador, associando-as exclusivamente a momentos gloriosos, à sexualidade e a ser brasileiro, esquecendo-se dos problemas associados. Diversos fatores contribuíram para essa reviravolta em relação ao uso de álcool entre os adolescentes nas últimas gerações. O consumo de bebida alcoólica chega a ser aceito e até estimulado pela sociedade. Muitos pais acham normal que os filhos bebam. A pressão do grupo de amigos, o sentimento de onipotência próprio da juventude, o custo baixo da bebida, a falta de controle na oferta e consumo, a ausência de limites sociais colaboram para que o primeiro contato com a bebida ocorra cada vez mais cedo. O projeto de lei tem seu mérito, mas pode se tornar mais uma daquelas leis que ?não pegam?. Afinal, o próprio Estatuto deixa claro que é proibido oferecer até os dezoito anos qualquer tipo de substância que aja no cérebro da criança, e nem por isso a proibição é respeitada. Proibir apenas que os adolescentes bebam ou comprem bebida não basta. Cabe a pais e educadores a missão de conversar com os jovens, expor a preocupação com sua saúde e segurança e deixar claro que não pode haver acordo possível quanto ao uso e abuso do álcool, dentro ou fora de casa.

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