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Opinião

AS ARTES NO MUNDO CONTEMPOR�NEO

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Há um tremendo equívoco na análise que se faz do mundo contemporâneo, contemplando-o com o epíteto de ?moderno?. A palavra que se origina do Latim ?Modus? (maneira) e ?hodierno? (de hoje) e tem por consequência uma aplicação infinita, enquanto houver aperfeiçoamento para uma forma mais atual do modo de fazer alguma coisa. O machado feito com pedra lascada pelo homem primitivo se modernizou no dia seguinte em que ele poliu a pedra. O que demonstra a atemporalidade da palavra para expressar uma obra de vanguarda. A idade moderna, propriamente dita, teria iniciado após a Idade Média com o advento do Renascimento. Assim como a Revolução Francesa marcou o início da Idade Contemporânea. O que vivemos então no final do século 20 e no início do século 21? Pós-modernismo? É o que alguns historiadores e críticos recomendam. O pós-modernismo comportou-se nas duas últimas décadas do segundo milênio como um estilo. Houve artistas que trabalharam numa releitura do classicismo, desmontando paradigmas e apresentando uma nova versão para temas já conhecidos. Viveu-se neste período também uma espécie de Revival de elementos fortes do figurativismo, no Trompe L?oeil, na decoração de interiores, com recriações de mobiliários e em projetos arquitetônicos historicistas. A arte se manteve indecisa entre o mercado e a definição de sua função social. Dois bichos de sete cabeças se engalfinhando todo o tempo. De um lado as bienais, salões nacionais e internacionais que definiam o papel da arte, política e socialmente. Revive-se o embate conceitual da arte como fomentador da economia de mercado ou como ativista e panfletária da sociedade em ebulição. Cada vez mais efêmera a arte se apoiou na documentação, na fotografia e no cinema para registrar suas performances e seus novos ?ready made? como participação na História. Muita experiência foi gasta na criação de uma nova vitrine para a produção artística do novo milênio, mas nada conseguiu ser impactante o suficiente para criar um referencial desse período. Esta é a arte contemporânea e não há neologismo que expresse mais do que isso. Ainda esperamos. Explicando melhor, é só observar os últimos 50 anos da História da Arte, no mundo inteiro, para ver que a produção atual ainda é calcada nos mesmos dogmas que selaram a modernidade no início do século 20. A arte se dividiu entre os artistas fiéis a uma produção regular absorvida pelo mercado e outros pelos experimentos constantes em busca do novo.

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