Opinião
Novas rotas
A manifestação dos caminhoneiros, que tem provocado bloqueios em rodovias nos últimos dias, serve para mostrar, entre outras coisas, a necessidade de diversificação do transporte de cargas no Brasil. Hoje, o País tem uma grande dependência do transporte rodoviário para escoar sua produção. Cerca de 60% de toda a carga transportada no Brasil usa o sistema rodoviário; 21% passam por ferrovias, 14% pelas hidrovias e terminais portuários fluviais e marítimos e apenas 0,4% por via aérea. Num País de enormes distâncias geográficas como o Brasil, a opção pelas ferrovias seria a mais adequada para a integração econômica e regional. Entretanto, durante o século 20, o País privilegiou as rodovias, como estratégia para integrar o vasto território brasileiro e também industrializar a nação. Essa política do ?rodoviarismo? remonta ao então presidente Washington Luis ? que cunhou a célebre frase ?Governar é, pois, fazer estradas?! ? e ganhou força durante a presidência de Juscelino Kubitschek, que buscou, também, atrair a indústria automotiva. Em nome dessa estratégia de atração de capitais e geração de empregos, as ferrovias, que tiveram maior importância durante o período do ciclo do café, foram sucateadas e desprezadas. Hoje o Brasil tem cerca de 200 mil quilômetros de rodovias pavimentadas e 1,5 milhão de quilômetros de estradas não pavimentadas. Em muitos casos, as rodovias estão em condições precárias, o que provoca perda de competitividade. Estradas ruins aumentam o gasto com manutenção de veículos e combustível. A ênfase nas rodovias deixa o transporte de cargas mais caro, principalmente para grandes volumes e grandes distâncias. Além disso, faltam bons trens de passageiros, que liguem as maiores cidades entre si, e linhas de turismo que explorem todas as nossas belezas naturais. Nos últimos anos, com o crescimento econômico e o aumento do mercado interno, o Brasil tem uma demanda crescente por melhorias nos sistemas de transportes no sentido de diminuir os custos logísticos e tornar a produção nacional mais competitiva no exterior, bem como mais acessíveis ao mercado interno. Algumas medidas vêm sendo tomadas para mudar essa realidade, sobretudo com parcerias público-privadas e privatizações. É preciso prosseguir nesse caminho.