Opinião
40 anos de medicina
No finzinho do ano passado, completamos quatro décadas da colação de grau pela Universidade Federal de Alagoas. Parece que foi ontem. Formatura unificada, cujo paraninfo seria o então ministro da Educação, o militar e reconhecido político paranaense Ney Braga (1917-2000), os concluintes, em vestes talares, perfilamo-nos pelo gramado do estádio Rei Pelé (?Trapichão?), sob a tutela do magnífico reitor, o médico, general e mestre pernambucano aqui radicado, Nabuco Lopes (1916-92). Naquela mesma noite, parti para a minha Viçosa das Alagoas, e alguns de nós nos vimos pela última vez... Uns enveredariam pela academia; outros partiriam para a vida prática, de atendimento nos consultórios, ambulatórios. Verdadeiramente, a minha turma haveria de ser respeitada pela credibilidade de seus integrantes, espalhando-se pelas geografias brasileiras, de modo a dar a sua matizada contribuição à docência, como os professores Zé Moura, Iraí e Luiza D?Aura; à cirurgia, tal o colega Edeildo Mendonça; à endocrinologia, a exemplo do saudoso Francisco Freire; à cardiologia, de Pedro Albuquerque; à otorrinolaringologia, com Marcos Melo; e tantos mais. E eu me fixei na querida ?Princesa das Matas?, iniciando meus trabalhos no antigo Posto de Puericultura, à avenida Firmino Maia; depois, passei a integrar de corpo e alma o quadro do tradicional Hospital Nossa Senhora da Conceição, elevando o templo centenário estrutural e tecnicamente ao nível de segundo no interior alagoano, com préstimos de pediatria, maternidade, radiologia, ultrassonografia, laboratório de análises, centro cirúrgico, eletrocardiograma, eletroencefalograma, instituto médico-legal, postos setoriais e rurais, especialistas em várias áreas, sob o foco de responsabilizar-se, a instituição, pela cidade e circunvizinhança; enfim, exuberância palpável de centro promotor de serviço, ensino, aprendizagem e pesquisa. Do doutor Brandão a Maciel Pinheiro; de José Maria aos irmãos ?Zeca? e ?Nezito?; de Jayme Carneiro a João Eudes; de Nanci Borges a Paulo Roberto (?Beto?)... todos, unidos aos demais profissionais de assistência e administração, desenharam uma constelação histórica que enobreceu a província no campo das saúdes preventiva e curativa. Após 40 anos, orgulho-me de ser hoje o cidadão da medicina que há mais tempo reside e exerce as atividades no município, cuidando do bem-estar da população, em sintonia com a dinâmica da ciência. Parabéns, médicos de 1974 da UFAL!