Opinião
Contra a for�a do h�bito
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu consulta pública para obter sugestões da população para a regulamentação das advertências inseridas nos maços de cigarros. O objetivo é informar as pessoas dos riscos do tabagismo. A medida está prevista na legislação que estabelece a obrigatoriedade da advertência como parte da política de redução do tabagismo no País. Esse tipo de advertência ocupa 30% da parte frontal de todas as embalagens dos derivados do tabaco usados na forma de fumo. Nos últimos anos, cada vez mais as organizações de saúde mundiais têm feito esforços para educar as populações das consequências advindas do consumo do tabaco. Para isso utilizam estratégias que pretendem controlar o consumo, tais como aumento do preço, campanhas nos meios de comunicação social, advertências nos maços de tabaco, restrições no marketing do tabaco e a criação de ambientes fechados livres de tabaco. O cigarro industrializado se disseminou pela Europa e pelas Américas, especialmente a partir da Primeira Guerra Mundial. A publicidade associava-o a um hábito elegante e sofisticado de viver e, dependendo do contexto, a uma forma de inserção social. Era comum, em filmes e novelas, cenas em que os galãs e as mocinhas davam baforadas com muito charme. Entretanto, nas últimas décadas, o tabagismo passou a ser considerado um problema de saúde pública. Especialistas estimam que, atualmente, morrem por ano cinco milhões de pessoas por causa do tabaco. Se o padrão de consumo não se reverter, em 2030, morrerão dez milhões por ano, dos quais sete milhões no mundo pobre e três milhões no mundo rico. A saída é um programa educacional em âmbito nacional que leve a mensagem e uma campanha mundial contra o tabagismo. Pode-se proibir fumar nos locais de trabalho ou diversão, mas não se pode proibir que o indivíduo fume em casa. Por isso, a saída é elaborar um programa nacional de educação. Nenhuma lei é aplicável se não tiver base educacional e nenhum programa educacional funciona se não contar com o amparo da lei. Legislação e educação constituem duas instâncias que devem andar juntas. É preciso conscientizar a sociedade de que fumar é um ato nocivo e antissocial. Faz mal a quem fuma e a quem convive com o fumante.