Opinião
Homenagens e reflex�es
Como sempre acontece, a comemoração do Dia Internacional da Mulher motiva reflexões e homenagens. Desde que a data foi instituída pelas Nações Unidas 1975 ? a intenção era levar o mundo a debater e refletir sobre o papel feminino na sociedade, a igualdade de gêneros, a desvalorização e a violência contra mulher ?, houve diversos avanços. A igualdade de gênero foi um dos oito Objetivos do Milênio fixados pela ONU, que reconheceu o problema como um das grandes deficiências da sociedade. Porém, ao mesmo tempo em que os países ocidentais têm uma certa vantagem nas questões de gênero, há países do Oriente Médio, por exemplo, em que direitos civis simples, como dirigir automóveis, são negados às mulheres. No Brasil, há conquistas como a lei Maria da Penha e a Licença Maternidade, a recente aprovação de projeto que dá às mães os mesmos direitos dos pais no registro do nascimento de um filho, do que veda as revistas íntimas no serviço público e o que torna o feminicídio crime hediondo. Entretanto, há outros desafios a serem vistos, os quais giram em torno, principalmente, de uma mudança cultural. Ainda há uma cultura ainda muito machista no Brasil, que legitima e perpetua as desigualdades que persistem por exemplo, no ambiente de trabalho. A desigualdade no trabalho ainda é um dos grandes desafios das mulheres no Brasil. Por mais que a mulher tenha se qualificado mais, ela encontra dificuldade de chegar à ponta da pirâmide, onde ficam os cargos de maior poder. Há, ainda, o problema grave da violência. O Brasil contabiliza 4,4 assassinatos a cada 100 mil mulheres, número que nos coloca no 7º lugar no ranking de países nesse tipo de crime. Em 2011, foram notificados no Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), do Ministério da Saúde, 12.087 casos de estupro no Brasil, o que equivale a cerca de 23% do total registrado na polícia. A luta pelos direitos das mulheres se confunde com os direitos humanos e ainda falta muito para que a tão falada igualdade de gênero seja uma realidade. Apesar de avanços perceptíveis na busca pela igualdade de gênero, em muitos aspectos a mulher ainda se encontra em situação inferiorizada. Existe um cotidiano de violência doméstica que destrói famílias e expõe o desrespeito à mulher, como mostram as estatísticas.