Opinião
Interesse pela Ci�ncia
JOSÉ MEDEIROS q Recentemente, fui convidado para participar de uma reunião de estudantes de Medicina, que tentam organizar grupo de estudos sobre avanços da ciência médica e da tecnologia. Estranhei o convite, por se tratar de um período de férias para eles, após um semestre de estafantes atividades acadêmicas. Férias representam lazer indispensável ? disse-lhes ? fazem parte dos pilares da qualidade de vida. Servem para reabastecer o combustível das células nervosas. No entanto, eles estavam firmes em seu propósito. Pretendem fazer um mesmo tipo de questionamento a diferentes profissionais da área da saúde: ??Quais as doze descobertas mais significativas da Medicina no século XX e nos primeiros anos do século XXI?!?. ?Quais os nomes mais expressivos a destacar nessas descobertas??. Para mim, não foi fácil fazer essas escolhas, num emaranhado de fatos científicos e frutos da evolução tecnológica. Os descobridores, muitos verdadeiros gênios, foram e são seres humanos quase super-homens, humildes, apesar de conquistas memoráveis. Citei Fleming e a descoberta da penicilina e dos antibióticos; Albert Sabin e a vacina contra a paralisia infantil; Freud e a complexa ciência da Psicanálise; e Maurice Wilkins, com os estudos genéticos sobre o DNA. Porém, os estudantes preferiram começar com a ciência da Psicanálise como tema. Aconselhei-os a convidar um especialista nessa área. Entretanto, dispus-me a dar um toque sobre a teoria da ?mente inconsciente?, criada por Freud, que envolve o consciente e o inconsciente. Contei-lhes uma historieta de aplicação psicológica. Fala sobre um casamento de amor, com muita compreensão e afeto, que estava a ponto de ser desfeito. Nada incomum, a não ser pelo fato de que marido e mulher eram psicólogos, praticantes diários das teorias freudianas em seus consultórios. Haviam casado cedo, lutado com muitas dificuldades, mas, hoje, estavam firmados na profissão e em excelente situação financeira. Todavia, desentendimentos se sucediam entre os dois, ciúmes, incompreensões e desacertos. A situação ia de mal a pior. Estava deteriorando-se uma vida conjugal bem construída. Convidaram para jantar um amigo íntimo, também psicólogo. À primeira vista o colega compreendeu que havia ??eletricidade? no ar e o ambiente de cordialidade era apenas aparente. O que fazer, pensou o visitante? ? Montar um divã e analisar os problemas? Fazer uma sessão de psicoterapia? Isolou essas hipóteses: resolveu utilizar a terapia da palavra, a palavra como isca para pescar as razões dos conflitos. Depois de cálices de vinho do Porto, lançou o casal na evocação dos primeiros encontros, nas muitas lembranças passadas, do namoro, noivado e casamento. Um empoeirado álbum de fotografias foi desarquivado. Recordações de muitas realidades construídas com andaimes de sonhos e de esperanças. Ao se despedir, depois de uma longa e proveitosa conversa, já se respirava ar de verdadeira cordialidade e benevolência. Um telefonema dois dias depois confirmava que a paz voltara à vida do casal. Freud havia contribuído com a ciência da palavra para vencer mais essa crise. (q) É MÉDICO E EX-SECRETÁRIO DE SAÚDE E DE EDUCAÇÃO