Opinião
UM ANO SEM VALMIR CALHEIROS, UMA VIDA SEM MEU PAI
Há um ano minha vida perdeu muito do seu colorido, meu sorriso perdeu bastante alegria, meu olhar não é mais tão brilhante e meu pensamento voa longe para chegar ao céu e alcançar meu pai. Há um ano tento conviver com a tristeza da perda repentina da pessoa que, certamente, eu mais amei e que mais me amou. Ora parece que um ano é uma eternidade, ora parece que foi ontem. Procuro meu pai na luz que amanhece todo dia, no perfume das flores, na calmaria das ondas, no sorriso dos meus filhos Gabriela e Valmirzinho, na tentativa de superação da minha mãe, Nivaldete. Invariavelmente, encontro meu pai, no idoso que conta história para os netos, na criança que aprende a andar, no pássaro que voa, na rosa que desabrocha, no alimento que consumo e no ar que respiro. Procuro meu pai em tudo que sou, faço ou vejo porque é isso que ele representa na minha vida. Meu tudo. Ele se foi fisicamente, todos nós iremos um dia. Mas ter a certeza de que sua vida foi um exemplo é a melhor parte da releitura de tê-lo perdido. E, como sou feliz por saber que ele sempre soube dessa admiração que sinto por ele. Para qualquer menina, o pai é o herói. E, especialmente, o meu era o herói escritor/protagonista da história. Ser filha de Valmir Calheiros não é fácil. O peso do seu nome nos campos da ética, do profissionalismo, do caráter, da dignidade, da facilidade de fazer amigos é muito forte. Resta-me agora ter forças para buscar continuar a ser feliz toda vez que tenho vontade de ouvir sua voz, alisar sua careca, encostar-me eu seu peito tão cabeludo, ouvir seus conselhos ? muitas vezes não seguidos ? sentir sua barba impecavelmente feita e perfumada ou perguntar qual matéria especial iria ler na próxima edição. Desde que meu pai partiu, ganhei novos amigos. Muitos deles eu já conhecia. Outros me procuraram para dizer o quanto o amavam. Dezenas sabiam detalhes da minha vida. Quando questionei como me conheciam tanto, ouvi de todos: ?Menina, seu pai não falava em outra coisa. Você era o assunto preferido dele?. Nossa! Quanto orgulho, quanta felicidade em saber. Embora acho que já soubesse, que eu ocupava tanto espaço naquela mente privilegiada e naquele coração que, ao final da vida, ficou tão frágil e o traiu, mas que tinha a força do mais aguerrido exército. Naquele 13 de março de 2014, meu pai parou de respirar, de escrever e de viver de uma forma muito silenciosa. Discreto, como sempre, não deixou que sua partida fosse maior do que toda a sua vida. Viveu sem buscar os holofotes. Sua fama de um dos melhores jornalistas de Alagoas aconteceu de forma natural, resultado do seu compromisso com a verdade. Talvez sem saber, meu pai ajudou a preencher de alegrias cada página da minha vida, cada momento da minha infância e cada realização na minha vida adulta, por isso, mesmo longe fisicamente, devo-lhe todo o amor que houver nesse mundo.