loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

UM ANO SEM VALMIR CALHEIROS, UMA VIDA SEM MEU PAI

Ouvir
Compartilhar

Há um ano minha vida perdeu muito do seu colorido, meu sorriso perdeu bastante alegria, meu olhar não é mais tão brilhante e meu pensamento voa longe para chegar ao céu e alcançar meu pai. Há um ano tento conviver com a tristeza da perda repentina da pessoa que, certamente, eu mais amei e que mais me amou. Ora parece que um ano é uma eternidade, ora parece que foi ontem. Procuro meu pai na luz que amanhece todo dia, no perfume das flores, na calmaria das ondas, no sorriso dos meus filhos Gabriela e Valmirzinho, na tentativa de superação da minha mãe, Nivaldete. Invariavelmente, encontro meu pai, no idoso que conta história para os netos, na criança que aprende a andar, no pássaro que voa, na rosa que desabrocha, no alimento que consumo e no ar que respiro. Procuro meu pai em tudo que sou, faço ou vejo porque é isso que ele representa na minha vida. Meu tudo. Ele se foi fisicamente, todos nós iremos um dia. Mas ter a certeza de que sua vida foi um exemplo é a melhor parte da releitura de tê-lo perdido. E, como sou feliz por saber que ele sempre soube dessa admiração que sinto por ele. Para qualquer menina, o pai é o herói. E, especialmente, o meu era o herói escritor/protagonista da história. Ser filha de Valmir Calheiros não é fácil. O peso do seu nome nos campos da ética, do profissionalismo, do caráter, da dignidade, da facilidade de fazer amigos é muito forte. Resta-me agora ter forças para buscar continuar a ser feliz toda vez que tenho vontade de ouvir sua voz, alisar sua careca, encostar-me eu seu peito tão cabeludo, ouvir seus conselhos ? muitas vezes não seguidos ? sentir sua barba impecavelmente feita e perfumada ou perguntar qual matéria especial iria ler na próxima edição. Desde que meu pai partiu, ganhei novos amigos. Muitos deles eu já conhecia. Outros me procuraram para dizer o quanto o amavam. Dezenas sabiam detalhes da minha vida. Quando questionei como me conheciam tanto, ouvi de todos: ?Menina, seu pai não falava em outra coisa. Você era o assunto preferido dele?. Nossa! Quanto orgulho, quanta felicidade em saber. Embora acho que já soubesse, que eu ocupava tanto espaço naquela mente privilegiada e naquele coração que, ao final da vida, ficou tão frágil e o traiu, mas que tinha a força do mais aguerrido exército. Naquele 13 de março de 2014, meu pai parou de respirar, de escrever e de viver de uma forma muito silenciosa. Discreto, como sempre, não deixou que sua partida fosse maior do que toda a sua vida. Viveu sem buscar os holofotes. Sua fama de um dos melhores jornalistas de Alagoas aconteceu de forma natural, resultado do seu compromisso com a verdade. Talvez sem saber, meu pai ajudou a preencher de alegrias cada página da minha vida, cada momento da minha infância e cada realização na minha vida adulta, por isso, mesmo longe fisicamente, devo-lhe todo o amor que houver nesse mundo.

Relacionadas