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Opinião

N�o vale a pena ver de novo

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Há exatamente 30 anos, tomava posse o primeiro presidente civil após o golpe militar que derrubou o presidente João Goulart, em 1964. A transição se deu de forma incrivelmente pacífica. Uma costura política levou o Congresso a eleger Tancredo Neves presidente da República, com o apoio de parlamentares que, pouco tempo antes, integravam a bancada governista O destino, entretanto, pregou-nos uma peça. Tancredo ganhou, mas não levou. Para a frustração geral, no dia 15 de março de 1985, quem recebeu a faixa presidencial foi o vice, José Sarney, pois Tancredo havia passado mal na véspera. Ele nunca assumiria. Morreu no dia de Tiradentes. O golpe de estado que depôs Goulart instaurou uma ditadura no Brasil e, como todas as ditaduras, sejam elas de direita ou de esquerda, a nossa se utilizou de expedientes como censura, exílio, repressão policial, tortura, mortes e ?desaparecimentos?. Apesar de toda documentação e testemunhos que atestam as violações cometidas nesse período, não poucas pessoas, decepcionadas com os rumos atuais da política nacional, defendem uma nova intervenção militar no País, alegando que naquela época ?o Brasil era melhor?. Para isso, alguns mitos são difundidos. O principal é que, durante o período militar, não havia tanta corrupção. Nada mais longe da verdade. O que não havia eram conselhos fiscalizatórios, e as contas públicas não eram sequer analisadas, quanto mais discutidas. Com a imprensa sob censura, os casos ficavam encobertos. Além disso, os militares que estavam no poder investiram bilhões de dólares em obras faraônicas sem nenhum controle de gastos. O resultado dessa política, além de favorecer a corrupção, foi o aumento da dívida externa, que permaneceu impagável por toda a primeira década de redemocratização. Em 1984, o Brasil devia a governos e bancos estrangeiros o equivalente a 53,8% de seu Produto Interno Bruto (PIB). A redemocratização não resolveu os problemas do país, mas seu legado nesses 30 anos é a estabilidade política. Hoje o Brasil possui instituições fortes e independentes. O país atingiu uma maturidade política. E o que é melhor: hoje o cidadão é livre para expressar publicamente seu descontentamento com o poder público. É um direito que foi conquistado a duras penas. Nossa democracia precisa ser aperfeiçoada, sem retrocessos.

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