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Cidades inteligentes: inova��o no turismo

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A questão urbana é um desafio global. Desde 2008, pela primeira vez, mais de metade da população mundial passou a viver em cidades. Pela projeção da ONU, até 2050 os espaços urbanos acomodarão dois entre cada três habitantes do planeta. No Brasil, em 2000 metade dos brasileiros já haviam saído do campo. Por isso, não podemos adiar o debate sobre como tornar essas zonas de maior aglomeração populacional, especialmente aquelas que são turísticas e baseadas na economia de serviços, mais inteligentes, eficientes, criativas e, por que não, mais divertidas. Cresce a necessidade de aplicação de inovações para gerenciar melhor as cidades, os serviços públicos e bens coletivos com o objetivo de favorecer os moradores locais e visitantes. A inteligência da cidade tem de estar conectada ao reconhecimento de suas potencialidades, dos problemas e ser flexível para poder enfrentar novos desafios urbanos com a agilidade necessária. É preciso pensar a mobilidade urbana, a segurança, o uso dos espaços públicos, a eficiência no uso de recursos naturais, a qualidade de vida e convívio harmonioso. Cresce o uso do conceito de cidades inteligentes no debate sobre o desenvolvimento urbano. O California Institute for Smart Communities define uma comunidade inteligente como uma comunidade que faz um esforço consciente para usar a tecnologia da informação para transformar a vida e o trabalho dentro de seu território de forma significativa. Inovações tecnológicas e sociais estão no cerne da ideia dessa inteligência porque permitem resolver muitos dos problemas que enfrentamos em Maceio e outras cidades brasileiras. Podem facilitar e melhorar os deslocamentos, as experiências de vivência do espaço urbano, e ampliar o protagonismo de moradores e visitantes na medida em que se reapropiam de espaços hoje marginalizados ou abandonados de seu cotidiano. Para uma cidade turística como Maceió, o impacto das novas tecnologias é positivo em todo ciclo do turismo, do sonho ao compartilhamento de experiências que alimentam novos desejos. Para tanto, torna-se imprescindível pensar nas infovias, na infraestrutura de banda larga, de ampliação do acesso a internet, conectando os cidadãos, empresas, profissionais e turistas. Já vemos cidades ?do futuro? tomando forma como SongDo, na Coréia do Sul, Fujisawa no Japão, todas buscando uma escala mais humana e mais qualidade de vida para seus habitantes, amparadas em infraestrutura digital e em processos integrados de gestão da informação. Há outras cidades que vão incorporando o conceito em seu dia a dia como Nova York, San Francisco e Barcelona. Ganha a gestão pública, pela maior eficiência dos processos, pela maior integração entre as áreas setoriais de atuação. Ganham os cidadãos com o maior acesso a informações, conhecimento, serviços, oportunidades de empreenderem de forma criativa. Estive recentemente na Alemanha, para participar da ITB Berlim, uma das maiores feiras de turismo no mundo, e pude conhecer projetos inovadores que transformaram a capital alemã em uma cidade cada vez mais inteligente. Na área de mobilidade urbana, por exemplo, foi adotado um sistema de locação de automóveis por minuto. São veículos compartilhados, movidos a eletricidade que podem ser utilizados por moradores e por turistas, sem a necessidade de pagamento por estacionamento no centro da cidade. Isso integra-se ao sistema de ciclovias e transporte público. Há informação sobre serviços públicos, e mesmo as ofertas privadas de serviços on line integram-se em uma grande nuvem computacional e que através de smart grids, racionalizam e interagem para tornar a vida de seus cidadãos mais eficientes. Da abertura de empresas aos procedimentos relativos aos serviços públicos, trafego urbano, segurança, entretenimento. Uma cidade inteligente construída a partir de uma melhor integração de serviços públicos e privados. Os smartphones e tablets com acesso à internet também são ferramentas imprescindíveis para o turista conectado, e as cidades têm que estar preparadas para atender à necessidade deste novo viajante. Em Brasília, por exemplo, pequenos dispositivos estrategicamente distribuídos pelos pontos turísticos dão acesso por meio de códigos criptografados às informações sobre os monumentos em mais de um idioma. Existir digitalmente tornou-se um imperativo para cidades como Maceió, que não pode prescindir de serviço de banda larga eficiente, e da oferta de serviços on line para seus cidadãos e turistas. Para o turismo, há diversas aplicações possíveis para o uso de tecnologias. Totens e painéis interativos, aplicativos, mobiliários urbanos com informação acoplada e possibilidades de experiências com realidade ampliada para interpretação do patrimônio cultural, por exemplo. O Ministério do Turismo tem mantido contato com o governo de Alagoas e com a Prefeitura de Maceió para pensar e implementar iniciativas que permitam o uso das novas tecnologias para melhorar o cotidiano dos moradores locais e a experiência dos visitantes. Ações nesse sentido, tornarão nossas cidades ainda mais atraentes e amigáveis. Existir de forma inteligente será cada vez mais um imperativo para a gestão pública eficiente e antenada com as mudanças na estrutura do processo de criação de valor e da oferta de serviços. Esses avanços têm impactos ambientais positivos e ampliam as chances de nos tornarmos uma cidade que, além de atrair turistas, atraia cada vez mais talentos e negócios que podem gerar empregos e maior dinamismo a nossa economia. São desafios que acrescem à lista dos desafios já existentes, como saneamento, segurança e mobilidade urbana. Mas são soluções que se integram a esta agenda de futuro que Maceió precisa urgentemente enfrentar as vésperas de celebrar seus 200 anos.

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