Opinião
Mudan�a de padr�o
Relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) mostra que há no mundo água suficiente para suprir as necessidades de crescimento do consumo, ?mas não sem uma mudança dramática no uso, gerenciamento e compartilhamento?. Segundo o documento, a crise global de água é de governança, muito mais do que de disponibilidade do recurso, e um padrão de consumo mundial sustentável ainda está distante. De acordo com a organização, nas últimas décadas o consumo de água cresceu duas vezes mais do que a população e a estimativa é que a demanda cresça ainda 55% até 2050. Mantendo os atuais padrões de consumo, em 2030 o mundo enfrentará um deficit no abastecimento de água de 40%. No Brasil, a preocupação com a falta de água ganhou destaque com a crise hídrica no Sudeste. Para os nordestinos, entretanto, trata-se de uma realidade bem próxima, pois a região enfrenta períodos de grande estiagem ciclicamente. Durante muito tempo, a seca provocou a migração de milhares de nordestinos para o Sudeste. Hoje, graças aos programas federais, a população da região tem melhores condições de conviver com a longa estiagem. A falta de chuvas não é exclusividade do Brasil. A diferença é como outros países lidam com períodos de seca. Em Israel, por exemplo, são nove meses de seca por ano, mas não falta água, pois o governo investiu num grande projeto de dessalinizadores, além de reaproveitar quase 90% do esgoto para irrigação e recuperação de rios. Em lugares desérticos como a Arábia Saudita ou os Emirados Árabes, também há água de sobra. A falta de planejamento agrava o problema no Brasil. Há mais de dez anos os governos tinham informações técnicas confiáveis que as torneiras secariam a médio prazo, mas não se preveniram. É preciso investir na recuperação as matas ciliares que protegem os rios do assoreamento, reflorestar grandes áreas para manter a perenidade das nascentes, cessar o desmatamento, substituir uma prática agrícola predatória e, principalmente, adotar um novo modelo de desenvolvimento. Há, também, a necessidade de uma mudança de hábito por parte da população. Não é um caminho fácil, mas são medidas imprescindíveis e inadiáveis, caso contrário o problema tende a se agravar a cada ano.