loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Serenidade agora

Ouvir
Compartilhar

Diante de um fato incontestável, geralmente adverso para si, as pessoas reagem em etapas, segundo a psicologia: negação, raiva, negociação, depressão e aceitação. Muita gente está reagindo assim depois das eleições presidenciais de 2014. São aqueles que não se acostumaram com os princípios democráticos e querem, de alguma maneira, mudar o que foi decidido pela maioria. Estão, por ora, entre a negação e a raiva. Resta saber se vão adentrar na negociação e reconhecer que a democracia permite o discordar, o protestar, nunca o desrespeitar. Ninguém está falando em capitular. Não é demérito ceder em função de algo maior, no caso, a retitude dos princípios que guiam a normalidade democrática. O momento histórico que vivemos é fundamental para nosso amadurecimento como nação. O que antes era escuso, agora está às escâncaras. A corrupção deixa o leito da impunidade sacudida pela imprensa e por grupos que lutam pelo fim da iniquidade e pelo advento da transparência. Contudo, é importante evitar a generalização raivosa, aquela que não busca apontar culpados, mas sim estabelecer um tribunal inquisitório com o propósito apenas de trucidar quem ousa pensar diferente. Basta falar em conquistas sociais ou igualdade de classes para ser conduzido ao cadafalso do aniquilamento moral e político. As investigações devem prosseguir, os réus, caso condenados, punidos, o dinheiro desviado devolvido e o país purgado. Mas não podemos atropelar os princípios constitucionais nem hostilizar aqueles que se recusam a atirar pedras. Os mecanismos institucionais à disposição da sociedade brasileira, são suficientes para repor o país nos eixos da serenidade. Depende de nós e da nossa capacidade de diálogo. E qual o por quê de estar ocorrendo tudo isso? Alguns alegam questões pontuais (é só a Petrobras), outros, sistêmicas (a corrupção está imiscuída desde o descobrimento). O fato é que precisamos aperfeiçoar os tais mecanismos que dispomos ? cabe muito apropriadamente uma revisão constitucional ? para que tais fatos não mais se repitam. O momento é agora. E isso vale para todos os níveis de poder. Quando assumiu a presidência da África do Sul, após passar 27 anos preso, Nelson Mandela criou a Comissão da Verdade e Reconciliação. O objetivo não era a vingança, a excrescência, era a reaproximação, era unir o país dividido entre brancos negros, entre ?nós e eles?. Deu certo, e Mandela passou para a história como um dos mais sábios líderes que a humanidade já teve. Ele tornou a África do Sul um lugar melhor para se viver. Seus ensinamentos persistem: no lugar do ódio, o amor, no lugar da guerra, a paz. Não é difícil segui-los. Depende de nós.

Relacionadas