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Opinião

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Saiu a nova tabela de correção do imposto de renda. O governo queria 4,5%, enquanto o congresso queria 6,5%. Acharam um meio termo com a adoção da menor alíquota para quem ganha menos e da maior para quem ganha mais. Parece justo do ponto de vista social, mas não é. A correção inadequada das alíquotas de imposto de renda no País, ao longo do tempo, é uma boa forma de entender porque nosso maior problema não é a desigualdade e sim a pobreza. Um certo número transitava nas mentes econômicas mundiais, fazia alguns anos, até que Thomas Piketty o captou e escreveu O Capital no Século XXI (que permanecerá para sempre na biblioteca dos livros que eu gostaria de ter lido). A obra supostamente confirma que a concentração de renda no mundo está aumentando. O tal número é 1% e se refere à previsão apocalíptica de que, em 2 décadas, os 1% mais ricos terão metade da riqueza mundial, cabendo aos outros 99% disputar a tapa a outra metade. Animados pela tendência vinda de fora, nosso próprio time de ?desigualdadistas? têm criado coragem para discutir o tão sonhado imposto sobre grandes fortunas. Uma tributação desse tipo é, apesar de justíssima na teoria, sabidamente inviável na prática, pois o dinheiro hoje tem asas e foge ao tentar ser domado. No que reconhece isso, ao propor uma versão global dessa comenda, Piketty apenas transforma o impraticável em inexequível. Mas alguma coisa tem que ser feita, não é? Essa concentração estratosférica de renda não é um absurdo? Sim e sim, porém, apesar de nossa desigualdade ser uma das maiores do mundo, não é nosso maior problema. Nosso calcanhar de Aquiles é mesmo a pobreza, e não quão pobre os pobres são, e sim quantos eles são. No Brasil, 86% da população ganha menos que 1 salário mínimo americano. Assim, aumentar a última faixa do imposto de renda poderia até ser justo, mas não daria conta de arrecadar o que nosso voraz Estado necessita para funcionar. Por isso, e não por boicote de nossas elites, é preciso continuamente aumentar a quantidade de coitados que pagam imposto de renda, reajustando a tabela abaixo da inflação ao longo dos anos. Se a reforma do nosso perverso sistema tributário, com alta taxação do consumo e baixo imposto de renda (não, você não leu errado) nunca acontece, não é por falta de consenso e sim porque a conta não fecha. Nossos ricos são muito ricos, mas infelizmente são muito poucos.

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