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Divaldo, um pol�tico na eternidade

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?Um homem de caráter, leal, cordial, elegante, amigo. Esgotem-se os adjetivos, e ele se enquadrará em todas as qualificações possível para um cidadão do bem? - bradou, forte e firme, a voz anônima, curvando-se ante o caixão de Divaldo Suruagy. Houve registros de outras exclamações, muitas solenes, outras singelas e emotivas, muitas empolgadas. Algumas dirigidas a mim, meio a rodas de amigos que se formaram no Parque das Flores, reconhecendo-me digno de pêsames, órfão do parceiro político e de vida. Éramos como irmãos. Nas pungentes demonstrações de pesar a que assisti, nada me impressionou mais do que aquele desafio. Que aparecessem sinônimos da integridade e generosidade humanas, por mais superlativos que fossem em que não pudéssemos atribuir à vida de Suruagy! Por isso martelou-me a mente, no voo de volta para Brasília, a exortação ouvida por amigos no velório do Palácio dos Martírios e que me reproduziram. Ao mesmo tempo, convencia-me de que não se tratava de um repente original. Mas, onde e quem havia pronunciado antes tão eloquente e adequada fala! Felizmente a memória me socorreu. Não, não era uma pessoa, um orador magnífico eu me lembrava. O que evocava era uma pessoa que naquelas circunstâncias teria feito, de forma tão eloquente, essa última e definitiva afirmação sobre as virtudes de Suruagy. Confesso que me comovi, ao recordar um dos grandes e queridos amigos e conselheiros de Divaldo, o professor Antônio Santos, grande poeta e orador cívico. Ele foi secretário de Divaldo quando se tornou Prefeito de Maceió, em 1966, nas primeiras eleições que disputou na longa carreira que trilharia para se tornar o mais longevo político de Alagoas no século XX. Que pena que já não estivesse entre nós o saudoso professor Antônio Santos, e que bom que ele tivesse revivido o desabafo popular durante o velório de Suruagy. Divaldo fez o que poderia ter feito. Nas suas limitações, foi insuperável, teria afirmado Antônio Santos, no seu singular estilo de grande orador popular. Alagoas deve muito a Suruagy ? em desenvolvimento, empenho, trabalho, capacidade de conquistar e confiança de presidentes da República, ministros, empresários. Ele viveu para seduzir quem pudesse de alguma maneira favorecer Alagoas. Tanto quanto lhe devem os alagoanos, por suas demonstrações de probidade e de generosidade, e não para favorecer ricos e poderosos, mas para dar a mão aos pobres e necessitados. E essa generosidade e somente ela, lhe custaram muito. Pessoalmente, além da amizade e da lealdade, devo-lhe uma delicada biografia de Rui Palmeira, meu pai, que Divaldo exalta no seu livro como padrão de político imaginoso, culto e honrado, certamente suas maiores virtudes. Por isso, tenha certeza, de que no seu afã de servir, e participar da vida através da política, Divaldo ressentiu-se de falta de mandatos no fim de vida. E sofreu muito por isso. Em espírito, nunca se aposentou. Mas, quando a ?indesejada das gentes? veio buscá-lo, Divaldo Suruagy, apesar dos sofrimentos das doenças que o atingiram, certamente seguiu para eternidade imaginando formas e oportunidades de, em fazendo Política, fazer crescer Alagoas.

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