Opinião
O SUIC�DIO DO PETISMO
Não nos é muito difícil imaginar a cúpula planaltina reunida para avaliar o clamor que viria das ruas, no 15 de março. Com certeza sua eminência parda, Marco Aurélio Garcia, estaria apenas esperando um grande fracasso, para repetir seu célebre gesto chulo que lhe rendeu o apelido de ?toc-toc?. Visto o avesso do que tanto almejavam, acharam por bem dar uma ?satisfação? ao inconformado povo brasileiro. Eis que a montanha pariu dois ministros. E vieram para frente das câmeras protagonizar o que a maior responsável não teve coragem. Enquanto um tentou por panos mornos na situação, o outro, traduzindo a sempre teimosa mania de não querer ver o que está na cara, acusou a massa que transbordava as ruas em todo o País, de ser apenas formada por aqueles que não votaram em Dilma. Ledo engano. Não precisou mais que dois dias para o Data-Folha trazer a lume nova pesquisa onde, para desmenti-lo, os índices de desaprovação ao governo mostravam exatamente o contrário. E, o de aprovação, vejam só, coincidia com os dígitos que representam o partido do governo: ínfimos 13%. Tinha que ser feita alguma coisa que embrulhasse a maioria descontente: utilizando o sinônimo, foram ressuscitar o que já estava esquecido: ?pacote governamental?. Embrulho esse, inócuo, pois não foi esboçada nenhuma intenção de extirpar de seu convívio, aqueles que vêm sendo acusados de corrupção, como o tesoureiro do próprio partido. Se não bastasse, seu presidente afirma que, sendo comprovado com condenação qualquer envolvimento de um de seus membros, o partido expulsaria. Não nos parece ter sido esta a atitude no que se refere aos ex-presidiários Dirceu e Genuíno. Chama-se a isso, ignorar o clamor das ruas. O mesmo que fizeram após os reclamos de 2013. Ou seja, ?ouvidos de Mercadante?. Com a exuberância de seus trinta e nove ministérios, habitados por uma maioria de ministros medíocres e completamente dissociados das verdadeiras finalidades para as quais foram criados, alguns até sem essa presumível serventia, teimam em não tocar nesse monstrengo ministerial. Carlos Heitor Cony, em ?O grande gesto?, na Folha de São Paulo, lembrando Getúlio em sua maior crise que o levou ao suicídio, e clamando por Júpter para que dona Dilma não repita o mesmo grande gesto, sugere um governo de união nacional, convocando Sarney, Fernando Henrique, Collor e Lula, formando um Conselho de Estado Suprapartidário sem função executiva e dispensando metade de seus 39 ministros. Seria o suicídio do petismo.