Opinião
Vias perigosas
Segundo dados divulgados ontem pela Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito de Maceió (SMTT), o número de acidentes registrados na capital alagoana no primeiro trimestre deste ano quase dobrou em relação ao mesmo período do ano passado. Foram 368 ocorrências em janeiro, 359 em fevereiro e 432 em março, totalizando 1.036 casos. Em 2014, foram 533 acidentes. Para a SMTT, a falta de atenção e a imprudência continuam sendo as principais causas dos acidentes registrados. Chamou a atenção do órgão, o alto número de acidentes na quarta-feira que antecedeu o feriado da Semana Santa: 20. Seria a ?euforia? pré-feriadão? Apesar das dimensões continentais do Brasil, os acidentes ocorrem com mais frequência dentro do perímetro urbano, nas ruas ou avenidas de alta velocidade. Em geral, são acidentes graves e os que trazem maiores problemas em termos de saúde. Nas capitais, prevalecem os atropelamentos e os acidentes com motocicletas nos quais as vítimas costumam sofrer lesões muito sérias e até fatais. Grande parte dos acidentes é causada por imprudência, imperícia ou negligência do condutor. No ano passado, causou comoção em Maceió a morte de um garoto de 13 anos que foi atropelado quando atravessava a faixa de pedestres na Avenida Tomaz Espíndola. O condutor não respeitou o sinal vermelho. As estatísticas também mostram como um dos grandes vilões quando se trata de acidentes de trânsito a combinação perversa entre álcool e direção. No último sábado, por exemplo, um ciclista de 35 anos morreu atropelado numa das avenidas de Brasília por um motorista de 25 anos que dirigia embriagado, caso que ganhou grande repercussão, a ponto de a família do condutor divulgar uma nota pública em que pede perdão aos familiares da vítima. O Código de Trânsito promulgado em 1997 prevê penas severas para o motorista que dirige embriagado. Além da repressão, entretanto, investir em conscientização também é importante. Os jovens devem aprender, desde cedo, que não se deve dirigir sob efeito de álcool em nenhuma circunstância. Acidentes de trânsito ocorrem em toda parte, mas no Brasil o número de mortes ligadas a condutores que beberam mais do que deviam é maior por causa da certeza da impunidade. Já está mais do que na hora de mudar essa realidade.