Opinião
MARX, A EDUCA��O E O �DIO
A exploração do homem pelo homem; a vida de um dependendo da exploração do trabalho de outro; a sociedade burguesa como modelo-condição à evolução dos povos. Esse modus vivendi seria a única solução possível? É o máximo a que a humanidade pode alcançar em sua tresloucada e cruel existência? Para os conservadores, impossível a construção de uma comunidade onde superada a exploração do homem pelo homem. Seríamos egoístas e mesquinhos por natureza, individualistas até à medula. A sociedade burguesa, o capitalismo, o mercado seriam os balizadores do mais alto grau de convivência a que sonharíamos alcançar. Porém, superada a derrocada do que mais perto se alcançou em termos de comunismo, ainda que dele assaz distante, traduzida no fim da URSS e na queda do Muro de Berlim, percebe-se nos mais diversos extratos da sociedade contemporânea um renovado interesse pelas ideias marxista-leninistas. Esse recrudescimento naturalmente não é à toa. Ao contrário, certamente impregnado por uma realidade desumana, onde imperam crescentes pobreza e miserabilidade, o desemprego, o acirramento das lutas de classes, a violência urbana, além do crime organizado, aí inserido o tráfico de drogas, naturalmente que os mais sensíveis e ?libertos? daquelas ?características? que os conservadores lhes atribuem como de sua natureza, antes discriminadas, enxergam, questionam-se e buscam alternativas para a decadência capitalista. Assim, as até hoje insuperadas ideias marxistas retornam à cena com novo vigor, ao mesmo tempo de um lado redespertando o interesse em parcelas da população mundial descontentes; de outro, entretanto, estimulando a reação do capital, que volta a amplificar o investimento maciço na aplicação das táticas de manipulação do povo, notadamente midiáticas, do financiamento em movimentos em sua defesa, escamoteado pela pecha de populares e anticorrupção (a história em alguns aspectos se repete), além do velho e patético, mas nada surpreendente ainda vigoroso discurso, de que o comunismo é o mal, pois despejado em sociedades histórica, filosófica, sociológica e politicamente tornadas propositadamente ignorantes. Chega-me a notícia de que o Brasil hoje investe mais em educação do que países como o Japão, Ao mesmo tempo, persiste reduzindo as desigualdades sociais e pôs fim à fome de 500 anos. Também descobrimos o pré-sal e seus trilhões de dólares. E aí? Percebe a manipulação que leva ao ódio cego e à baba, seletiva, anticorrupção?