Opinião
In�cio tumultuado
Na última sexta-feira, o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff completou 100 dias. Diferentemente do que aconteceu no início de seu primeiro governo, há poucas razões para comemorar. Isolada, a petista encontra dificuldades para reverter o ceticismo do mercado, a desconfiança de aliados e o descrédito de uma parte cada vez maior da população, que vem promovendo atos de protesto, como o que está previsto para hoje. As preocupações de Dilma vão desde a economia até a política, passando pela relação com a sociedade, fragilizada especialmente pelo escândalo de corrupção em vários setores. O desapontamento com o governo atinge até mesmo parcela dos eleitores que votaram pela reeleição. Do lado da economia, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, declarou que 2015, em particular, é um ano de transição, de fortalecimento dos fundamentos macroeconômicos, em vista também da mudança do ambiente internacional e do entendimento das implicações dessas mudanças. Para ele, isso vai contribuir para a retomada do crescimento sustentável em breve. Se, por um lado, a chegada de Levy aumentou a confiança de que as contas públicas serão ajustadas, abrindo espaço para a queda dos juros, por outro, as dificuldades de relacionamento do Planalto com o Congresso lançam dúvidas sobre o quanto será possível avançar com os cortes de gastos e aumento das receitas. É por causa desse ambiente negativo que os investimentos privados ? grande aposta do governo para a retomada do crescimento ? teimam em não deslanchar. É bom lembrar que a base de sustentação política de Dilma é uma herança do governo Lula. A chegada do PT ao poder não rompeu com os vícios da política tradicional praticada no Brasil. O PT e o governo Lula reproduziram os velhos métodos, em nome da governabilidade. Sem o mesmo jogo de cintura de Lula, Dilma tem sofrido constantes derrotas no Congresso. Ao indicar o vice-presidente Michel Temer como novo articulador político, ela tenta pacificar as relações do governo como o Parlamento e, assim, ganhar tranquilidade para esperar os efeitos das mudanças na política econômica. No Planalto, a aposta é a de que ? aprovado o ajuste fiscal ? a economia começará a reagir até o fim do ano. Assim, os três anos seguintes serão menos tumultuados. É o que esperam os brasileiros.