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Mortes em massa

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O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que o total de mortes violentas no País já ultrapassou a casa de 60 mil por ano. De acordo com o Mapa da Violência (2002-2012), elaborado pelo instituto, houve redução significativa da taxa de homicídios entre os brancos, enquanto entre os negros o índice aumentou. Nesse período de 10 anos, morreram 70% mais negros que brancos. Para o pesquisador Antônio Teixeira de Lima, isso significa que o País possui uma verdadeira ?máquina de morte em massa? e que uma raça inteira está sendo dizimada. A violência contra jovens negros e pobres está sendo alvo de uma CPI na Câmara dos Deputados. O mapa mostra a tendência da violência de migrar dos grandes centros para o interior. Se nesta década o número de homicídios permaneceu quase o mesmo, ele diminuiu em cidades como Rio e São Paulo , mas migrou para cidades médias e pequenas. A transição da década de 1980 para a de 1990 causou mudanças no modelo de crescimento nacional, com uma descentralização econômica que não foi acompanhada pelo aparato estatal, especialmente o de segurança pública. O deslocamento dos interesses econômicos das grandes cidades para outros centros gerou a interiorização e a periferização da violência ? agravada pelo avanço das drogas, especialmente o crack ?, áreas não preparadas para lidar com os problemas. A discussão sobre o papel da polícia também é importante. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado por um fórum de especialistas ligados à área governamental de segurança, mostram que 490 policiais tiveram mortes violentas em 2013, destes 75,3% foram mortos quando não estavam em serviço. Por outro lado, policiais causaram 11.197 mortes. Em comparação com outros países, os dois dados são alarmantes. As ações conjuntas entre Estados e a União para reduzir os homicídios têm sido pontuais. Não existe um enfrentamento nacional, que abranja todas as esferas ? municipal, estadual e federal. O programa Brasil Mais Seguro, lançado inicialmente em Alagoas, foi uma tentativa de mudar essa realidade, mas os resultados ficaram aquém das expectativas. A redução na violência no País passa pela realização de reformas na estrutura da segurança pública, inclusive com mudanças na polícia, no código penal e no sistema penitenciário.

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