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Opinião

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Naquele início de tarde, ensolarada e quente, descansando sozinho numa aconchegante rede, à sombra de centenárias mangueiras, escuto o trinado dos pássaros, os gritos dos papagaios, as galinhas cacarejando comemorando a postura de mais um ovo. Observo os coloridos beija-flores sugando o néctar das flores das buganvilas. Minha cachorrinha lulu aproxima-se, rabo abanando, querendo um afago; desço o braço e aliso com a mão sua cabeça, ela deita-se; sei que ficará ali em minha companhia enquanto eu estiver no balanço. De onde estou posso observar meu caseiro renovando os alimentos de minha criação de coelhos e dos pombos burgueses criados soltos. Divirto-me com os saguins pulando de galho em galho. Baia, a caseira, aproxima-se e dar um recado: ?D. Edna, (minha esposa) avisa que está jogando baralho na casa do seu primo Yaldo?. O vaqueiro chega com os cavalos. ?Doutor, eles já estão chegando!?. ?Eles? são meus quatro filhos e os sete netos. Será uma balbúrdia. Eu gosto. Andam a cavalo, jogam futebol, pedalam em bicicletas, correm, caem. Dias atrás uma das netas das mais novas esbarrou-se no chão, fui acudir. Ela quis chorar, distrai-a contando os arranhões: um, dois, ... sete. ?Não, vô, são oito, ainda tem esse?, mostrou-me o que faltava e disparou em direção aos irmãos e primos. Somando somente os menores, até 13 anos, são mais de trinta que vieram passar o feriadão em Bananal, todos parentes. Às vezes vêm amigos e também trazem os filhos. No início da noite uma parte dos parentes vai sentar-se nos degraus do cruzeiro, em frente à igrejinha. As crianças brincam na praça, correm por todo o povoado. Nós, no cruzeiro ou em cadeiras em frente à casa grande continuamos conversando e admirando a lua, que está cheia. Sua aparição vem com uma brisa fria, então boa parte dos parentes se dispersam. Estou quase sozinho, com dois ou três primos recordando fatos engraçados dos antepassados. O cemitério da família é logo atrás da igreja. Meu primo Jair pergunta sobre o museu da família, falo que a inauguração será em maio. Comentamos que já são quase trinta casas construídas no nosso Bananal, somente de parentes. Contamos quantos estão no povoado naquele final de semana. Mais de cem parentes. Recebemos um recado para irmos para a churrasqueira. A noite vai ser longa: violão; o pífano de Natanael, meu cunhado; canções de todas as épocas; poesias, emboladas. Esse é o meu paraíso, ?O País do Bananal? como já o chamava nosso parente, o Menestrel Teotônio. Sim, lá na Viçosa das Alagoas existe um paraíso. Lugar único no mundo. É nosso desde 1854. Foi adquirido pelo avô do meu avô, que também era avô da minha avó. Somos as famílias Leite dos Passos, Pimentel Passos, Vital dos Santos; também somos parentes dos Teixeira de Vasconcelos, dos Vilela, dos Rebelo. Foi com satisfação que se agregaram aos ?bananazeiros? as famílias Barbosa, Nobre, Carnaúba, Lima, Vieira, todos com raízes na Princesa das Matas. Somos cordiais, hospitaleiros, festeiros. O leitor está convidado a ir conferir.

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