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Opinião

Caminho perigoso

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O Brasil viveu, em 2014, uma de suas eleições presidenciais mais disputadas. A polarização dos dois principais partidos se refletiu também no debate político no País. Desde então, esse ambiente polarizado só piorou, pois o embate de ideias foi substituído pela troca de insultos e por demonstrações de preconceito e intolerância, num clima de briga de torcidas do mais baixo nível. De fato, o que se vê nas discussões ? potencializadas pelas redes sociais ? é tudo menos política, já que esta pressupõe diálogo com o outro, mesmo com quem pensa diferente. Não é o que ocorre atualmente. Nunca se tinha visto no Brasil esse ódio que aparece nas redes sociais, com o enfraquecimento dos partidos e também das instituições. São postagens recheadas de ressentimentos e fúria, discursos com pouquíssima reflexão e argumentação sobre os temas propostos, carregados de ódio e preconceito sem o mínimo de preocupação com o interlocutor. Isso sem falar nas falsas notícias, ou fake news, para usar o termo da moda, que pululam no universo virtual e são replicadas por usuários desinformados. Nos últimos dias, dois episódios ajudam a ilustrar o clima vivido no País atualmente. Em entrevista à Globo News, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, revelou que ele e sua família vêm sofrendo ameaças. Fachin é atualmente o responsável pelos processos que envolvem a Operação Lava Jato no STF. No mesmo dia, foi noticiado que a caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi atacada a tiros e pedradas em estradas do Paraná. São fatos inaceitáveis. Isso mostra que o discurso de ódio está se materializando em atitudes concretas. Para especialistas, num ambiente de grandes proporções ? como o mundo virtual ? as pessoas podem ser mais sugestionáveis e como os ânimos são de indignação e intolerância, abre-se o terreno para a violência física. Afinal, quando não há muito espaço para o pensamento, parte-se para a ação, e a violência é uma das formas de expressar essa postura radical. Neste momento, é preciso uma reação do poder público para garantir a ordem e não permitir que grupos contrários se digladiem em praça pública. Cabe também aos políticos, aos partidos e aos movimentos sociais se empenharem no caminho da convivência civilizada entre correntes distintas de pensamento, sem radicalismos de nenhuma das partes. É preciso preservar nossa jovem democracia.

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