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A CULTURA EM TEMPOS DE CRISE ECON�MICA

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Não há como negar os avanços, sobretudo na transformação de ações pontuais em políticas públicas, na gestão de Gilberto Gil. Um nome bem maior do que o cargo que ocupava. E ele, sem dúvida, soube usá-lo em benefício da cultura. Isto, sem falar na promoção dos debates regionais em torno da aprovação do Plano Nacional de Cultura. Todos se sentiram partícipes. Foi também uma época das vacas gordas para os editais de projetos culturais. Investimentos em todas as áreas. Prestígio para o setor. Quem participou sabe muito bem. Os tempos são outros, até antes das eleições do ano passado, ninguém falava em crise. O Brasil teve dinheiro para bancar uma copa do mundo e gastar para eleger seus candidatos. Choveu dinheiro! A partir de janeiro deste ano os vencedores trataram de recolher os cacos e raspar a panela. Era o fim da festa e a pobreza já havia batido em nossa porta. O dinheiro sumiu. A Lei de Responsabilidade Fiscal, quase sempre esquecida, se tornou o algoz. Chegou a hora de cobrar a dívida do povo brasileiro. Mesmo sem nunca ter estado na pole position, a Cultura ainda não havia experimentado o gosto de ser lanterninha no orçamento do governo. Mas considerando que o Itamaraty ficou abaixo da linha da pobreza, atrasando até as contas de energia, o que esperar de bom? Os tempos ficaram bicudos demais para se acreditar em polpudos editais. A crise econômica se transformou também em crise política. Isto quer dizer que além do cofre fechado e vazio ainda perderam a chave. E a cultura que sempre contou com o apoio da iniciativa privada, desta vez reconhece que poucas empresas estão aguentando o tranco. O tostão virou milhão. Os patrocinadores estão escassos. E não adianta mais segurar a cuia porque a mão vai ficar cansada. Cultura passou a ser artigo de luxo. O país tem outras prioridades. O desafio agora é se reinventar para poder sobreviver. Na economia da cultura o que é gratuito tem um preço. O preço da movimentação da máquina cultural do país inteiro irá depender bastante de seus gestores. Quem só aprendeu trabalhar na fartura vai ficar deprimido. Quem faz render o orçamento baixo não irá se apertar. É hora de usar a criatividade. Mostrar o mesmo filme com outro título. Usar o potencial de quem já está na casa ao invés de contratar o forasteiro. É hora, mais do que nunca, da cultura mostrar a sua cara, armar sua tenda e vender seu peixe. E isto, é bom que se diga, se faz no grito!

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