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Escassez na fartura

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Para a Agência Nacional de Águas (ANA), um dos maiores desafios para a crise hídrica no Brasil é conscientizar a população sobre o desperdício. O fato de o País ter uma das maiores reservas de água doce do mundo ? 12% da disponibilidade do planeta ?faz com que o brasileiro desconheça o valor desse líquido vital. Enquanto o Nordeste aprendeu a lidar por décadas com a estiagem em um clima semiárido, o Brasil agora enfrenta a escassez em sua região mais rica, na área metropolitana de São Paulo, que congrega quase 30 milhões de pessoas, destacou. Para a ANA, os riscos hídricos deixaram de ser discutidos por muito tempo, quando ainda havia tempo para prevenção, e agora a situação chegou a um ponto nevrálgico que necessita da participação de todos. Especialistas alertam que o problema não é tanto a estiagem, mas o mau gerenciamento da água. Apesar de o Brasil ser privilegiado na disponibilidade desses recursos a distribuição é desigual. Segundo levantamento do Ministério do Meio Ambiente, 68% dela está na região Norte, onde vivem apenas 8,5% da população. Na outra ponta está o Nordeste, que possui a menor disponibilidade hídrica do País: 3%. O Centro-Oeste possui 16%; o Sul, 7%; e o Sudeste, que concentra 42% da população brasileira, dispõe de apenas 6%. Ou seja, em algumas regiões o potencial hídrico é grande enquanto em outras há falta de água. A gestão de recursos hídricos no Brasil representa um problema crítico, devido à falta de mecanismos, tecnologias e, sobretudo, de recursos humanos suficientes para gerir de forma adequada as bacias hidrográficas do país. Temos rios degradados, índices de perda assustadores nas companhias de água e um desperdício inconcebível por parte da população. A polêmica transposição do Rio São Francisco, que tem como objetivo ampliar a capacidade de armazenamento dos açudes nordestinos, é discutida há décadas mas só recentemente começou a ser implantada e, mesmo assim, sob a desconfiança de parte da população e de especialistas. Os conflitos em torno do uso da água são constantes. A tendência é que aumentem ao longo dos anos, principalmente em razão das mudanças climáticas. É urgente, pois, que o debate sobre os recursos hídricos não fiquem restritos a esses períodos de estiagem. É uma questão que deve fazer parte do dia a dia de todos.

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