Opinião
Viver e conviver
MILTON HÊNIO * Acompanhamos pelos jornais e pela televisão os encontros e desencontros dos políticos brasileiros em suas diversas regiões, todos buscando prestígio, poder e cargos. O presidente Lula tem à sua disposição 22 mil cargos federais, que deverão ser preenchidos até o final de março. Como abelhas no mel, imaginem a grande aglomeração dos políticos em seus diversos partidos, correndo atrás do mesmo alvo. E as reuniões se sucedem, como agora na disputa pela presidência do Senado entre o estimado conterrâneo Renan Calheiros e o conservador José Sarney, que não era visto com bons olhos pelo PT até pouco tempo. Mas dessa convivência humana sai de tudo, porque quando muita gente se encontra para discutir assuntos gerais, as soluções são demoradas e dificílimas, porque cada ser humano tem um temperamento e pensa e age de formas diferentes. Então, o acordo final torna-se complicadíssimo. Quem somos nós? Somos gente. E muita gente junta forma um bolo, cujos ingredientes são: defeitos, qualidades, erros, acertos, fraquezas, arrogância, humildade, boas intenções, egoísmo e etc. Variam as doses, mas essa estrutura é a mesma. Herdados ou inoculados, formam a argila de que somos feitos. Essa convivência humana é complicada desde os tempos de Adão e Eva. Acredito que, formando o primeiro grupo da terra e com a interferência da Serpente, eles concordaram em torno do primeiro pecado. Depois, provavelmente, expulsos do Paraíso, já saíram dali brigando: ? ?A culpa foi sua!?. ? ?Foi minha não, você é que foi o culpado?. Depois acabaram se ajustando ? o primeiro acordo ? pela necessidade que tinham um do outro. Conviver é complicado, principalmente quando não há uma base afetiva. A insatisfação que hoje existe no homem moderno é acentuadíssima. As pessoas não estão satisfeitas com a convivência no trabalho, porque não são reconhecidas ou são preteridas; as mulheres não estão satisfeitas no casamento, porque os maridos são grosseiros e desatenciosos; o jovem médico não está satisfeito no posto de saúde onde trabalha, porque o volume de gente para atender é muito grande e ele não consegue praticar uma medicina com calma, bem orientada, como desejaria; o professor universitário vive insatisfeito, sem aumento de salário e frustrado por não ter condições de transmitir os conhecimentos necessários aos seus alunos. E por aí vai. Vivemos em uma sociedade adrenalizada, embasada no medo, na violência, na injustiça, em que há a projeção de um deus mesquinho que é o dinheiro, como meio provedor de nossas necessidades. Convivência difícil é a do mundo moderno. É preciso você ter fé e confiança em si mesmo para ter sempre uma boa saída dos encontros familiares, sociais, políticos e recreativos, onde cada qual está, muitas vezes, angustiado, inseguro e em desarmonia com o ambiente onde vive. No nosso dia-a-dia, o sonho da paz, da alegria e da felicidade continuará eterno sonho, enquanto não encaixarmos bem nossos projetos, nossas lutas, nossos trabalhos e vida na vontade de Deus. Para enfrentar uma convivência e um viver sacrificado, procure sorrir e cantar; sorria bondade e seus caminhos serão mais floridos, mais perfumados. Semeie calor humano e todos desejarão viver à sua volta. Projete tranqüilidade e paz no meio em que você convive e o retorno será benéfico. O mundo é complicado e confuso? Acredito que sim, mas cabe a você simplificá-lo sem adicionar novos projetos atrapalhantes. Enquanto muitos navegam inconformados com o mar sempre revolto, procure singrar o mar do sucesso e da perseverança, enfunando as velas da alegria. Só assim poderemos caminhar em busca do futuro, convivendo com o nosso próximo, amando e sendo amado. (*) É MÉDICO