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Opinião

Mudan�a de foco

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Seminário promovido, esta semana, no Rio de Janeiro, pela organização Open Society Foundations para discutir a política global de drogas abordou alguns aspectos que merecem reflexão. Mesmo países contrários a qualquer mudança de regulação das drogas, como a China e parte das nações árabes, estão reconhecendo que precisarão implementar outras medidas para diminuir os danos causados pela dependência química e pela violência. Parece haver consenso de que o modelo de luta contra o tráfico de drogas e o crime organizado impulsionado pelos Estados Unidos fracassou. Estima-se que mais de 200 milhões de pessoas consomem drogas ilícitas no mundo, e mais de US$ 500 bilhões circulam por ano, em função da proibição do mercado das drogas ilícitas. Segundo um estudo elaborado pela ONU, a lavagem do dinheiro do narcotráfico serviu para salvar vários bancos da bancarrota. Diante dessa realidade, muitas personalidades vêm defendendo que os países assumam a função de regular o mercado de drogas, tirando dos traficantes o controle sobre essa atividade. O argumento é que o mercado é regulado por criminosos e há poucas pessoas que ganham muito dinheiro com isso e muitas pessoas que são prejudicadas.Trata-se, sem dúvida, de uma proposta polêmica. Para os defensores dessa tese, a ausência da regulação do Estado deixa os usuários nas mãos do tráfico. Além disso, a política atual de repressão acaba gerando uma nítida discriminação de gênero, cor da pele e classe social ? ou seja, só pretos e pobres acabam na cadeia. Alguns países, como o Uruguai, já adotaram medidas para descriminalizar o consumo da maconha. No Brasil, entretanto, antes de alterar a legislação de combate às drogas, será preciso uma grande discussão na sociedade, baseada em argumentos concretos, pois a questão deve ser encarada de forma racional. Polêmicas à parte, não há dúvida de que é urgente reduzir o uso e a demanda por drogas ilícitas ? responsável por morte, violência e desagregação familiar. Isso passa na apenas por repressão ao tráfico e campanhas educativas, mas sobretudo pelo combate à exclusão social, que empurra um grande contingente de jovens para o tráfico. É preciso, pois, recompor o tecido social, combate a desigualdade e assegurando à população mais pobre o acesso a serviços públicos de qualidade.

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