Opinião
Reforma da previd�ncia
O governo federal, através do ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, tem reiteiradas vezes manifestado o desejo de promover a reforma da previdência. Suas polêmicas declarações têm causado protestos de entidades de trabalhadores da ativa e de aposentados e pensionistas. As propostas levantadas como ?balão de ensaio? agridem aos eleitores que votaram em Lula da Silva ? também ? como contraponto as propostas de reforma da previdência de FHC. Tradicionalmente no Brasil as promessas de campanha nunca são cumpridas. Entretanto, os que prometem têm sempre uma forma de negá-las sem que pareçam fazê-lo. O governo do Partido dos Trabalhadores tem inaugurado uma nova etapa neste campo, a falta de dissimulação: segundo Berzoini é um equívoco os eleitores acharem que as propostas do partido apresentadas durante a campanha (para a previdência) devessem ser as que estariam sendo propostas agora. Com base numa avaliação real da crise da previdência e de que sem mudanças os problemas só tenderiam a se agravar com o risco de torná-la inviável, o governo anuncia o desejo de repetir, em essência, a proposta de reforma da previdência que o principal grupo derrotado nas últimas eleições apresentou e que contou com severa oposição do PT. ?Reforma da previdência na lei ou na marra!?. Este parece ser o slogan do ministro da Previdência. A subversão de direitos, as propostas mais surpreendentes, partindo de onde partiram, causaram estupefação em muitos e sorrisos irônicos em outros tantos. Algumas vozes sensatas, como a do jornalista Jânio de Freitas, que, a pretexto, indagava em sua coluna no jornal Folha de São Paulo: ?Os contratos que vão ser respeitados são só os que envolvam títulos da especulação financeira, bancos estrangeiros e FMI?? O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Marco Aurélio Mello, foi outro que lembrou que os direitos adquiridos só são subvertidos através de uma ?revolução? ou democraticamente por meio de uma Assembléia Nacional Constituinte. A ponderação do ministro parece ter surtido efeito e a ânsia de subtrair direitos de Berzoini, momentaneamente, parece ter arrefecido. Vamos aguardar os novos desdobramentos.