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Campo minado

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Levantamento da Global Witness, denominado ?Defensores da Terra?, divulgado ontem, revela que o Brasil continua no topo da lista dos países onde ativistas ambientais mais foram mortos em 2016, com 49 casos. Em todo o mundo, foram pelo menos 200 ativistas assassinados no período, cerca de quatro pessoas por semana. É o maior número de mortes de ambientalistas registrado em um ano pela organização. Segundo a organização, a violência contra ativistas está crescendo e se espalhando pelo mundo. A principal causa de morte dos ativistas em 2016 foi o envolvimento das vítimas em conflitos contra a atividade de mineração, agronegócio e exploração madeireira. No ano passado, a Global Witness documentou assassinatos em 24 países. Em 2015, foram 16. O Brasil é seguido no ranking pela Colômbia, com 37 assassinatos; Filipinas, com 28; Índia, com 16, e Honduras, que lidera o ranking do país mais perigoso para ativistas per capita na última década, com 14 mortes. Em 2015, o Brasil também liderou o ranking de mortes de ambientalistas. Naquele ano, a morte de ativistas na Amazônia brasileira teve destaque no documento, segundo o qual a luta para salvar a floresta está se tornando cada vez mais uma briga contra organizações que aterrorizam as populações locais. Nem mesmo as forças policiais são respeitadas na região, na avaliação da ONG. Não é uma questão recente. Há quase 30 anos, País ganhou as manchetes internacionais por causa do assassinato de Chico Mendes, o humilde seringueiro do Acre que se converteu em símbolo internacional da defesa do meio ambiente. Em 2005, outro caso de repercussão internacional: o assassinato da missionária americana Dorothy Mae Stang, de 74 anos. Naturalizada brasileira, ela foi morta por pistoleiros na cidade de Anapu, no Pará. Assim como Chico Mendes, irmã Dorothy dedicou boa parte de sua vida à defesa do meio ambiente e dos direitos dos trabalhadores rurais. Para a ONG, muitas vezes os interesses em comum de governos e empresas protegem os responsáveis pelas mortes de ativistas e que pouco se faz para levar os autores à Justiça. Como se sabe, a impunidade contribui para perpetuar esse clima de violência. Cabe, pois, ao poder público, conforme legislação internacional, proteger os defensores de direitos humanos para que possam atuar com segurança.

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