Opinião
A �FRICA DE BAKHITA
?Ah! Se um dia eu me encontrasse com meus escravizadores, me ajoelharia diante deles e lhes beijaria os pés, porque foi por causa deles que eu conheci Jesus? ? disse certa vez S. Josefina Bakhita. A história de sua vida é um poema de amor a Jesus Cristo e hoje se torna de atualidade gritante a ponto que o dia de sua festa, 8 de fevereiro, foi declarado com entusiasmo pelo Papa Francisco ?Dia mundial de oração e reflexão, sobre o tráfico de seres humanos e as novas formas de escravidão e exploração das pessoas?. ?Bakhita? significa ?afortunada?, ?sortuda?, e foi o nome que lhe deram seus raptores, quando a venderam, no mercado negro de El Obeid, ao cônsul italiano no Sudão, Calixto Legnani, que logo a libertou e admitiu como empregada da família. Chamado de volta à Itália, Bachita livremente o acompanhou. Aí, pouco depois, entrou no convento das Filhas da Caridade de S. Madalena de Canossa, conhecidas como Canossianas. A 9 de janeiro de 1890, foi batizada com o nome de Josefina e a 8 de dezembro de 1896, recebeu o hábito de Canossiana. No convento, distinguiu-se por sua piedade e na ajuda aos pobres e necessitados, sendo conhecida pelo povo como a Madre Moretta. Foi cozinheira, porteira e superiora da comunidade, o que mostra sua inteligência e capacidade, na variedade dos trabalhos de uma comunidade religiosa. Faleceu em Schio em 1947, com 78 anos. Foi beatificada em 1992, e tive a felicidade de participar da Santa Missa de sua canonização, pelo papa S. João Paulo II, em Roma, no ano 2000. Novas formas de escravidão e de tráfico humano são as de hoje, bem diferentes das do tempo de S. Backhita e da nossa Lei Áurea, que vamos comemorar no próximo 13 de maio. A ONU fala que cerca de 22 milhões de novos escravos são levados cada ano de um país para outro para exploração trabalhista e sexual, venda de órgãos, matrimônios forçados ou adoções ilegais. Calcula-se que, só na Itália, são escravizados anualmente cerca de 50 a 70 mil mulheres e menores, para sexo de milhões de clientes, que depois os abandonam nas ruas como lixo. Esses dados estatísticos são da Irmã Eugenia Bonetti, presidente da Associação internacional ?Slaves no more? (Não mais escravos) em artigo recente de L?Osservatore Romano. É que a África de Backita se estendeu pelo mundo todo.