Opinião
Um mundo em transforma��o
Hoje, em todo o Brasil, trabalhadores e trabalhadoras vão participar de atos públicos para marcar a comemoração de seu dia. A data remonta a 1886, quando trabalhadores de Chicago (EUA) fizeram uma greve geral para reivindicar redução da jornada de trabalho de até mais de 16 horas diárias para 8 horas. A polícia entrou em confronto. Dezenas de manifestantes foram feridos e alguns mortos. Anos depois, vários países reconheceram a data como feriado, entre eles, o Brasil, a partir de 1925. De lá pra cá, o mundo do trabalho passou por alterações profundas, principalmente a partir da década de 1990. No centro dessa mudança está o fenômeno da globalização. Outro fator importante foi a revolução tecnológica. A globalização incorporou no mercado internacional milhões de pessoas na Ásia, na América Latina e em outras partes do mundo, seja como consumidores, seja como trabalhadores assalariados. Disseminou também a terceirização, por meio da qual uma rede de pequenas e médias empresas realiza trabalhos necessários à expansão da produção e do consumo das grandes empresas.A consequência disso foi o aumento do trabalho informal, sem registro em carteira. No Brasil, em particular, a classe trabalhadora vive este ano um período de apreensão. Depois de experimentar um período de bonança, com crescimento econômico e desemprego nos menores níveis da história, o Brasil vem enfrentando uma fase de retração. A economia patinha, as empresas fecham postos de trabalho, a inflação tunga parte do orçamento doméstico. Tudo isso gera um clima de insatisfação e desalento. Além disso, muitas das chamadas conquistas da classe trabalhadora vêm sendo questionadas em nome da flexibilização das relações produtivas. Alguns projetos em tramitação no Congresso são vistos como ameaças para o trabalhador, como o que libera a terceirização em todos os níveis, inclusive nas atividades-fim das empresas. Para completar, em seu plano de ajuste fiscal, o governo decidiu alterar as regras de acesso a benefícios trabalhistas e previdenciários. Por isso, além da comemoração, este é um momento de reflexão e de união dos trabalhadores para que as mudanças não venham para precarizar as relações de trabalho. Seria um retrocesso.