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Opinião

QUE PRIVIL�GIO � VIVER!

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Em uma agradável noite de verão, estava sentado no cruzeiro em frente à igrejinha do Bananal. Todos já haviam se recolhido. Fiquei sozinho. A noite estava esplendorosa. O firmamento totalmente estrelado. Era extasiante. Naquele silêncio quase total vejo o quanto a natureza é bela e tudo o que a cerca. Sinto a brisa fria soprar e o balançar das folhas da árvores; ouço a chiadeira de pequenos insetos; vejo vários sapos ao pé do poste elétrico à espreita, para abocanhar algum besouro; um cachorro uiva ao longe. Ali sentado no degrau do centenário cruzeiro lembro-me dos parentes que já se foram. Eles tiveram a mesma oportunidade de vislumbrar o cenário que eu estava apreciando. Ouço passadas leves, assusto-me, depois vejo um bonito cachorro que se aproxima e deita-se a meus pés. Continuo a observar e a admirar a natureza. Estou em frente da casa que já moraram muitos dos meus antepassados: trisavós, bisavós, avós, tios. Deixa ver, já são uns 150 anos que o Bananal é da minha família, os Passos. Quantas reminiscências me trazem aquele casarão! Observo-o novamente e fecho os olhos para melhor lembrar meus tempos de criança e juventude: as piadas contadas pelo meu avô Neco Leite às refeições; a radiola da minha avó Ismênia e a vitrola rodando os discos de vinil com as canções de Luiz Gonzaga; as brincadeiras de salão onde participava toda a família; as leituras dos folhetins de cordel lidas pelo tio Zenô; os parentes na calçada da casa-grande ouvindo histórias engraçadas das pessoas da primeira e segunda geração do Bananal, contadas por Jaime Victal; as canções de Patativa do Assaré e João Pernambuco e os poemas matutos de Manuel Laurentino declamados por Jaime. Quantas lembranças! Desperto do meu entorpecimento e vejo singrando os céus uma estrela cadente. Minhas divagações agora estão voltadas para o universo. A imensidão do cosmos. Reporto-me os pensamentos para meus conhecimentos da história da humanidade, a teoria do princípio de tudo, há bilhões, trilhões de anos. E eu ali com apenas 68 anos achando-me o senhor do mundo. Será que não sou? Claro que o mundo também é meu! Na minha sabedoria de achar que o mundo também é meu, olhando as miríades de constelações, inclino mais ainda a cabeça para cima, para melhor admirar o cenário mais belo que já vi. Abro os braços e grito baixinho: - que privilégio é viver! E penso na imensidão do universo, no desenvolvimento do homem cada vez mais amparado pela tecnologia, explorando os planetas, as galáxias. Amigos, para fazer essa imensidão de mundo, só Ele, o Deus de todos nós.

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