Opinião
O antes e o depois
É possível ser governo e oposição ao mesmo tempo?O Paraíso Político existe?No proselitismo político sim,mas na prática e perenemente, as contradições aparecem. Foi o que se viu essa semana no Congresso quando da aprovação das medidas provisórias que pavimentam o ajuste fiscal proposto para salvar o País da tremenda enrascada atual e no programa político do PT. É preciso ressaltar que as medidas propostas, todas corretas do ponto de vista do equilíbrio financeiro do Estado, só precisam ser adotadas para ajudar a tapar os imensos buracos orçamentários criados pelo desacerto da ?nova matriz econômica? da equipe anterior desse governo. O problema do discurso petista é que ele não resiste à sua própria contradição. Ajustar para crescer é o slogan que tenta juntar duas forças que se contrapõem: se é preciso reequilibrar as contas públicas para que a economia volte a crescer, é prova de que está bastante desequilibrada no momento. Aquele ?vigor? que o PT demonstrava ?na defesa do trabalhador? ? reconhecidamente frustrado nas manifestações dos sindicalistas no Congresso ? é inviável atualmente, pois os ajustes apresentados pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy, um técnico que veio das hostes tucanas, são indispensáveis para evitar um desastre ainda maior. Mesmo assim, o PT, liderado pelo ex-presidente Lula fez um programa político no qual criticou ? o ajuste do Levy? como se fosse oposição.Estamos vivendo o depois de incontáveis desacertos na gestão da coisa pública concomitantes à corrupção, onde a imensa desvalorização da Petrobrás é apenas um item dramático. Felizmente, vive-se o Estado de Pleno Direito democrático,que mesmo com suas mazelas, persevera, e na próxima semana prenunciasse a sabatina no Senado do candidato do Planalto ao Supremo. O Senado já cumpriu esse papel irretocavelmente, quando da indicação do jurista Alfredo Buzaid, pelo presidente João Figueiredo.Buzaid era incontestavelmente possuidor de ?notável saber jurídico?, mas a outra premissa constitucional ?ilibada reputação?, foi contestada notavelmente pelo jurista e senador Paulo Brossard ?Buzaid tinha sido um mau ministro?. O indicado Edson Fachin, possui ?notável saber jurídico?, mas exerceu a advocacia simultaneamente ao cargo de procurador de Estado, o que é vetado pela legislação do Estado do Paraná.Delineai-se mais uma situação má, plenamente evitável antes, prevenindo maiores prejuízos depois.