Opinião
O QUE � A MORTE?
Na bela idade de 99 anos ? faria 100 no próximo setembro ? faleceu em Maceió, no sábado passado, o Sr .Aloísio Papini. Tendo se aposentado como Superintendente do Banco do Brasil em São Paulo, em perfeita lucidez, geria pessoalmente seus negócios. Com o teor de vida de extrema simplicidade, residia em modesta casa no centro comercial de nossa capital, que depois doou à Fundação João Paulo II, passando a morar em outra, vizinha, igualmente simples. Dirigia pessoalmente seu modesto Volkswagen e, numa de suas últimas compras, adquiriu seu caixão funerário, o mais simples que encontrou. Com imensa gratidão, a Fundação João Paulo II de Maceió reverencia o Sr. Papini como um de seus maiores benfeitores, tendo doado espontaneamente, sem sequer o conhecermos, a terceira e última parte da construção da atual Casa Dom Bosco, sempre pedindo absoluto sigilo. O passamento para a eternidade de nosso grande benfeitor me leva a transcrever algumas considerações sobre o sentido da morte. O Prof. Pedro Paulo Monteiro, docente de Geriatria na Universidade Católica de Petrópolis, publicou há pouco um trabalho científico com o título ?Envelhecer ou morrer, eis a questão? . Ele sustenta que o homem deve fazer da velhice uma etapa natural de seu viver e agir. Pena que lhe falta qualquer transcendência. E nós sabemos ? nossa fé nos assegura ? que fomos criados para o infinito. A definição mais bela da morte encontrei no número de abril deste ano, no Bollettino Salesiano, de Turim. É um relato do médico oncólogo Dr. Rogério Brandão. Diz ele: ?Após muitos anos de trabalho profissional de onco-pediatria (câncer de criança), um anjo entrou na minha vida. Meu anjo veio em forma de uma menina de 11 anos. Muitas vezes a vi chorando durante o tratamento com procedimentos de quimioterapia e outros. Vi também o medo em seus pequenos e lindos olhinhos. Mas, certa vez, ela me disse: Quando eu morrer, mamãe vai ficar com muita tristeza. Mas eu não tenho medo de morrer. Eu não nasci para esta vida. Então, eu lhe perguntei: O que é a morte para você? E ela: Olhe, doutor, quando eu era pequenininha, com frequência ia dormir no quarto de meus pais, mas de manhã acordava no meu quarto. Pois a morte, doutor, é o contrário. Eu vou adormecer no meu quarto e vou acordar na Casa de Meu Pai. Essa será minha verdadeira vida.? Não é possível fazer qualquer comentário a essas lindas palavras desse anjinho...