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Opinião

O turismo em Alagoas na contram�o da cultura

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Se alguém me pergunta o que representa Maceió para o turismo em Alagoas, eu respondo na bucha: é dormitório. No máximo, passeia-se na orla à noite, senta-se numa barraca, come-se tapioca, compra-se artesanato e pronto. São atividades que não contemplam o restante da cidade. No dia seguinte, pela manhã, o turista entra num ônibus, na porta do hotel, e passa por Jaraguá, para nos fundos da Associação Comercial de Maceió, tira uma foto de dentro do ônibus e vai para o litoral sul ver praia e lagoas. Quando volta, à noite, com o lombo ardendo do sol e os olhos fechando, continua a ver a cidade pelas janelas do ônibus. Fim! A Semptur está preparando um excelente material de divulgação dos nossos equipamentos culturais. Estão na fase de coleta de informações. Hoje, deixaram para distribuição em nosso balcão três mapas da cidade em português, espanhol e inglês. Um material de tão excelente qualidade que vamos distribuir apenas aos turistas. Os poucos, perdidos, que nos visitam. É pura realidade: de uma média de 7.300 visitantes anuais, 5.000 são escolas e 2.300 são turistas ou visitantes locais. Isso, em todo o ano de 2014. Temos esses números pelos ingressos que vendemos e pelos projetos pedagógicos que praticamos com as escolas. Mas, turista, turista mesmo, é um ser perdido na cidade, em busca de museus e cultura. Quando chegam navios é muito pior. São como formigas de roça circulando alvoroçados pelo bairro de Jaraguá, muitos não falam uma palavra em português. Chegam aqui quase pedindo socorro. Tenho atendido muitos, alguns alemães que queriam ver arte contemporânea. Trabalho deu para explicar, mesmo em inglês, que deveriam voltar pelo lado do Porto e seguir até o museu da Fundação Pierre Chalita. Sabe como nos acham? Pela internet, pelo Google Maps, com a imagem do prédio. É assim que funciona, como um descarregamento de boi num terreno sem cercado. Nenhum filho de Deus aparece aqui com um folder ou mapa. Só o smartphone indicando o lugar. ?Pra uma cidade que precisa desse potencial turístico para sobreviver, ainda tem que se fazer muito? disse recentemente Jeanine Pires, enquanto olhava os nossos museus. ?dra., faça alguma coisa, porque o turismo cultural não existe? ? disse-lhe em tom apelativo.?Vocês abrem no fim de semana??, perguntou ela, ao que respondi: ?O bairro não oferece segurança para isso, infelizmente?. Mas o ?x? do problema começa, exatamente, na forma como a cidade é vendida lá fora, por pacotes turísticos. Aqui, as empresas receptivas e os guias são apenas os executores do sistema praia e lagoas.

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