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Neg�cio da China

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Esta semana, em que o Brasil recebe a visita do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, anunciou-se com grande estardalhaço que os governos do Brasil e da China assinaram acordos de investimentos que chegam a mais de US$ 53 bilhões, nas áreas de energia elétrica, mineração, manufatura e infraestrutura. Entre os projetos em estudo está a construção de uma ferrovia para ligar o Brasil ao Oceano Pacífico, passando pelo Peru, chamada de Ferrovia Transoceânica. Em tempos de vacas magras, o acordo bilionário cria uma expectativa para que o Brasil saia da crise econômica com a injeção do capital chinês. Espera-se que esses investimentos possam criar um efeito multiplicador na economia, tapando gargalos na cadeira de produção, principalmente na área de infraestrutura. Para o governo brasileiro, a parceria com a China parece ser uma espécie de tábua de salvação. O país asiático conta com aproximadamente um sétimo da população mundial, e a demanda por bens agrícolas e outras commodities segue em aumento constante, já que a China acompanha movimento global de aumento da população urbana em detrimento da rural. Alguns especialistas, entretanto, preferem apontar para alguns riscos no negócio. É evidente o interesse chinês em importar commodities, o que pode fazer o Brasil ? que vende prioritariamente matéria-prima para eles e compra itens industrializados dos chineses ? ficar dependente e vulnerável às variações de preço desse tipo de produto. Além disso, é preciso levar em conta que nem tudo que Li Keqiang prometeu no Brasil e nos outros países da região sairá efetivamente do papel. Por outro lado, mesmo se só a metade disso acontecer, já será um grande avanço. As promessas de investimento são uma chance única de integrar o continente sul-americano, transformando a relação entre os vizinhos, pois não há uma boa integração entre eles em termos de infraestrutura. Para alguns analistas, a China, é claro, aproveita o momento em que o Brasil está mais vulnerável, afinal estamos enfrentando uma crise econômica que deve ser marcada pela recessão deste ano. A dúvida é se o governo brasileiro saberá capitalizar essa oportunidade para melhorar a qualidade não só do comércio bilateral, mas do ambiente de negócios para outras parcerias ambiciosas com outros países.

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