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Nº 5735
Opinião

Sem retrocesso

Relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado ontem, em Paris, mostra o Brasil como país que apresentou sinais promissores de redução das desigualdades sociais, juntamente com Peru, México, Argentina e Chile. Cham

Por | Edição do dia 22/05/2015 - Matéria atualizada em 22/05/2015 às 00h00

Relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado ontem, em Paris, mostra o Brasil como país que apresentou sinais promissores de redução das desigualdades sociais, juntamente com Peru, México, Argentina e Chile. Chama a atenção o fato de que a tendência de redução registrada na América Latina e Caribe contrasta com o aumento da desigualdade na maioria dos países-membros da OCDE, em especial nas nações que adotaram a austeridade fiscal como resposta à crise econômica de 2008/2009. O estudo da OCDE avalia que economias emergentes como o Brasil acertaram ao optar por medidas de reforço da proteção social e de redistribuição de renda para combater a redução da pobreza e da desigualdade. A ampliação do acesso à educação e o aumento no salário mínimo resultou, no Brasil e em outros países analisados, na redução da desigualdade de renda no trabalho. A diferença salarial entre postos que exigem maior e menor qualificação diminuiu. Além disso, a ampliação dos programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, contribuiu para promover maior redistribuição de renda e, consequentemente, mais desenvolvimento. O estudo é divulgado no momento em que o governo, às voltas com o descontrole das contas públicas, quer promover um grande ajuste fiscal jogando a maior parte do ônus nas costas do trabalhador. As medidas – que restringem o acesso a benefícios trabalhistas e previdenciários – ainda estão em tramitação no Congresso, provocando reação negativa até mesmo entre parlamentares da base aliada. É importante também dar atenção devida às recomendações do estudo. Segundo o documento, para reduzir a distância entre ricos e pobres e ampliar o crescimento, deve-se promover mais igualdade entre homens e mulheres, ampliar o acesso a melhores empregos, investir mais em educação e formação e redistribuição de recursos, por meio de transferências de renda. É necessário, também, avançar nas medidas de formalização da mão de obra e simplificação do sistema tributário. Não há dúvidas de que o ajuste é, de fato, necessário, mas também é fato que precisa ser mais bem distribuído. Do contrário, corre-se o risco de ver aumentar a exclusão social. Esse retrocesso ninguém deseja que ocorra.

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