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Para atacar a fome

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O governo federal decidiu que o programa Fome Zero, o principal projeto social do presidente Lula, terá foco particular na região do semi-árido. E conforme disse, ontem, o porta-voz da Presidência, André Singer, a preocupação especial com a região é causada sobretudo porque ?além de ser uma área tradicionalmente atingida pela fome, neste ano ela também apresentou um quadro de seca? e neste sentido o programa nacional apresentará um destaque nos municípios atingidos pela seca. Os primeiros municípios desta região a receberem os benefícios do programa serão Guaribas e Acauã, no interior do Piauí. Em seguida, o programa será aos poucos estendido a 959 municípios do semi-árido, além de acampamentos e assentamentos rurais e tribos indígenas. A criação do Fome Zero ainda será anunciada oficialmente no próximo dia 30, em Brasília, quando também será instalado o Conselho de Segurança Alimentar. Mas já se sabe que ele será iniciado com apenas três a cinco ações emergenciais de um universo previsto de 41 políticas sociais. Inicialmente, segundo informações procedentes de Brasília, serão promovidas a distribuição de alimentos e outras ações específicas contemplando principalmente as localidades atingidas pela seca, aldeias indígenas e assentamentos rurais. No rol das decisões mais importantes adotadas até agora, destacamos o protocolo assinado ontem pelo governo com a Confederação Nacional dos Municípios e com a Frente Nacional de Prefeitos para a entrega dos alimentos às famílias. Além da notícia de que o Planalto já se arma para evitar o uso político disso. Trata-se justamente do problema que tem sido, ao longo de décadas, um dos maiores desafios enfrentados pelas pessoas verdadeiramente interessadas pelo fim definitivo da chamada ?indústria da seca?. Especialmente em nosso semi-árido, que continua sendo considerado um dos maiores bolsões de miséria do mundo. Além do combate rigoroso a abusos como este, e a promoção de soluções emergenciais, a maior parcela das populações da região, que voltam a viver os dramas da seca e de outras partes do País, continuará à espera de melhores condições de sobrevivência enquanto não forem eliminadas as causas da injusta distribuição das riquezas.

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