Opinião
Sem fuma�a
Dados divulgados ontem pelo Ministério da Saúde revelam que 10,8% dos brasileiros mantêm o hábito de fumar. O índice é maior entre os homens ? 12,8% contra 9% entre as mulheres. Os números representam uma queda de 30,7% no total de fumantes no país nos últimos nove anos. Ainda de acordo com o estudo, o consumo de cigarros no Brasil é maior na faixa entre 45 anos e 54 anos de idade (13,2%) e menor entre jovens com idade entre 18 anos e 24 anos (7,8%). O resultado do levantamento é, sem dúvida, uma notícia a ser comemorada, se lembrarmos que, há 20 anos, mais de um terço da população adulta no Brasil fazia uso do tabaco. Mesmo assim, o tabagismo ainda é considerado um dos maiores problemas de saúde pública em todo o mundo. O problema é responsável por 200 mil mortes todos os anos no Brasil. O hábito também responde por 90% dos casos de câncer de pulmão no País, o mais letal. Durante muitos anos, fumar foi visto como algo glamouroso. Em filmes e novelas, era comum ver galãs e mocinhas dando baforadas em grande estilo. Nas propagandas, o cigarro era associado a esportes radicais, embalados por sucesso do pop rock internacional, pois o objetivo era formar uma nova geração de fumantes. Felizmente, aos poucos começou a haver uma consciência sobre os males terríveis causados pelo fumo. No mundo inteiro, foram sendo adotadas medidas para combater o tabagismo. No Brasil, a publicidade do cigarro nos meios de comunicação de massa foi banida ano 2000. Fumar em ambientes fechados se tornou proibido, e os maços de cigarro passaram a exibir imagens medonhas alertando para os malefícios do fumo. É claro que a indústria do tabaco não se intimidou. Com acesso à TV e aos jornais barrado, os fabricantes investiram pesado na divulgação de material publicitário para promover as vendas em locais como padarias, lanchonetes, bancas de jornal e lojas de conveniência. Esses pontos de venda expõem cartazes promocionais coloridos, desenhados para atrair os mais jovens. Hoje, pode-se dizer que o Brasil é um dos principais atores no combate ao tabagismo no mundo, mas o esforço deve ser contínuo. Culturas e hábitos são passíveis de mudança somente a longo prazo e exigem ações constantes e articuladas, ainda mais quando estimuladas por uma poderosa indústrias. Mas a luta está sendo vencida.