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Opinião

P� no freio

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Os mais recentes números da economia brasileira ? que apresentou uma retração de 0,2% no PIB do primeiro trimestre ? não deixam dúvida de que o País vive um momento delicado. Depois de experimentarem uma década de aumento no poder de compra, acesso a serviços e conquistas sociais, os brasileiros simplesmente colocaram o pé no freio nos últimos meses. Com alimentos, energia e combustíveis mais caros, está ficando cada vez mais difícil fechar as contas no final do mês. Além disso, outro fantasma paira sobre os trabalhadores: o medo o desemprego. O próprio governo reconhece que vive um grande desafio. Desde a eclosão da crise financeira de 2008, a equipe econômica adotou as chamadas medidas anticíclicas possíveis, como fortalecer e ampliar políticas sociais e o crédito, a fim de proteger o consumo, o investimento das empresas, o emprego e a renda dos trabalhadores. Num primeiro momento, a estratégia funcionou, e o País suportou bem o auge da crise que abalou o sistema financeiro internacional, a partir das grandes economias. Agora, a fonte secou, e o governo precisa de uma nova estratégia. A presidente Dilma garante que o ajuste fiscal não vai sacrificar os programas sociais nem sucatear a infraestrutura do País. Segundo ela, o objetivo das medidas é encurtar ao máximo as restrições mais pesadas e dividir os sacrifícios da forma mais justa possível, mas que a retomada do crescimento exige esforços de todos. O ministro Joaquim Levy, mentor da atual política econômica, garante que as coisas mudaram e os desafios imediatos teriam sido vencidos. As incertezas em relação ao abastecimento de água e energia teriam sido superadas, bem como dúvidas sobre a possibilidade de rebaixamento do grau de investimento do Brasil e mesmo de a Petrobras não conseguir divulgar o seu balanço auditado referente a 2014. Para Levy, o segundo trimestre de 2015 deverá ser de transição, e o segundo semestre deverá apresentar sinais melhores. O fato é que o Brasil precisa recuperar não apenas a credibilidade internacional ? mostrando que é um ambiente de crédito seguro, de alta qualidade ?, mas, sobretudo, a confiança da própria população de que o ajuste fiscal produzirá efeitos positivos em médio e longo prazos. Por enquanto, há a sensação de que o ?saco de maldades? estava guardado desde o ano passado, esperando apenas passar a eleição.

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