Opinião
Para as futuras gera��es
Criado pela ONU em 1972, comemora-se hoje o Dia Mundial do Meio Ambiente, como uma oportunidade para sensibilizar e mobilizar o planeta sobre a importância do respeito, da preservação e da recuperação do meio ambiente, além de promover a atenção de autoridades, políticos e governantes para o tema. Como acontece em relação a outras datas comemorativas, trata-se de um momento ideal para refletir sobre os avanços e os desafios nessa área. Se ainda há muito por fazer, não há como negar os avanços registrados no Brasil nas últimas décadas. Pode-se dizer que o principal avanço foi a popularização do tema, com consciência generalizada de biodiversidade e agora de aquecimento global. A preocupação com o meio ambiente se tornou um assunto do dia a dia, e a sociedade já conta com centenas de organizações ambientalistas e cidadãos engajados. Também devemos destacar a legislação brasileira, que é avançada. Foram definidas metas brasileiras de redução de emissões de gases de efeito estufa e estabelecidos instrumentos financeiros como o Fundo Amazônia e o Fundo Clima. Foram criadas muitas unidades de conservação, especialmente na Amazônia. Surgiram políticas e programas específicos para povos e comunidades tradicionais. O setor privado também tem abraçado a chamada ?responsabilidade socioambiental?. Na área rural, surgiram milhares de iniciativas comunitárias sustentáveis e parte do agronegócio adota o plantio direto, a integração lavoura-pecuária e a certificação. Já do lado negativo persiste a distância entre o discurso politicamente correto e o comportamento consumista, reforçado pela redistribuição de renda. Insiste-se na aceleração do crescimento econômico, considerando o meio ambiente como obstáculo ao crescimento. O desmatamento persiste em áreas como o Cerrado. Ainda somos o campeão mundial de consumo de agrotóxicos. A legislação é desrespeitada. Nas cidades, a frota de automóveis explode, o meio ambiente é agredido de várias formas, a começar pela falta de tratamento adequado para os resíduos sólidos. Para vencermos esses desafios, é preciso um engajamento maior da sociedade, com novas políticas e praticas institucionais e individuais, voltadas para um desenvolvimento sustentável. Só assim poderemos deixar algo preservado para as futuras gerações.