Opinião
Usar com modera��o
Ainda dentro das reflexões do Dia Mundial do Meio Ambiente, a Organização das Nações Unidas (ONU) convida as pessoas a repensar seus estilos de vida e a se ver como parte da coletividade. A preocupação da ONU é com o consumismo, pois o planeta não tem como sustentar o padrão da classe média no modelo atual, construído desde a Segunda Guerra Mundial, principalmente pelos Estados Unidos, e exportado para o resto do mundo. Estima-se que, até 2030, cerca de 3 bilhões de consumidores de classe média sejam somados à população global. Para garantir tamanha produção, faz-se necessário cada vez mais que a sociedade retire matérias-primas da natureza a fim de conseguir atender à grande quantidade da demanda pelo consumismo. Isto causa um efeito devastador no meio ambiente, pois sempre, em nome do progresso e da economia, destroem-se matas, florestas, rios, e animais. Além da poluição do ar, das águas, do mar, do solo, seja com produtos tóxicos, seja com a deposição de resíduos sólidos. Para que a situação não chegue a um ponto sem retorno, é preciso que empresas e o poder público incentivem a produção e o consumo sustentáveis, como campanhas de conscientização, critérios em compras públicas e incentivos econômicos. Cada movimento, cada mudança de hábito das pessoas importa e também faz a diferença no contexto final. O Brasil também vive esse desafio. O País está num momento de virada, com o acesso de boa parte da população à classe média e que podem agora ter o supérfluo e não apenas o necessário para subsistência. É preciso, porém, trabalhar a mentalidade dessas pessoas para que não tenham só o consumismo como objetivo de vida. A própria realidade já contribui para a mudança de paradigmas. O País está vivendo uma crise de escassez de água e a população sente os efeitos na prática. Esse é o momento de promover a educação e a mudança de comportamento para o consumo sustentável. As mudanças devem ocorrer tanto do lado do cidadão quanto das empresas e dos governos. A questão vai além da chamada gestão ambiental, de reduzir o desperdício, mas inclui também desenvolver produtos mais sustentáveis. Como em outros aspectos da vida, quando se trata do uso dos recursos naturais, a palavra-chave é moderação.