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Opinião

Susto nas g�ndolas

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É difícil não escutar, em tempos recentes, alguém reclamar de que fazer compras no mercado está cada vez mais caro. Nos últimos meses, o consumidor já percebeu que o orçamento está mais apertado, porque os produtos industrializados tiveram reajuste de preços. Neste ano, até abril, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação do País, atingiu 8,17% no acumulado em 12 meses, bem acima do teto da meta do Banco Central, de 6,5%. E os alimentos costumam ser um dos principais vilões do consumidor. Ainda estamos distantes daquele período da chamada inflação galopante ? simbolizada pela figura do dragão ?, que chegou a atingir 80% ao mês. Mesmo assim, depois de quase duas décadas de preços praticamente estáveis, os aumentos têm assustado os consumidores. O reflexo disso é a queda nas vendas dos supermercados, que têm adotado estratégias para que o cenário não piore. Redes varejistas têm pressionado pela manutenção de preços para não afugentar consumidores, enquanto indústrias de alimentação e produtos de limpeza tentam repassar reajustes de até 15%. A pressão por aumentos é maior em produtos diretamente afetados pelo câmbio, como os itens de higiene e limpeza, afirma Leite. É um setor em que boa parte dos fornecedores é multinacional. O aumento de custo da indústria e o repasse ao varejo já eram esperados, mas os varejistas sabem que não podem aceitar passivamente os reajustes. O cenário ruim se soma a um desânimo do consumidor para comprar. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), medido pela FGV, recuou 2,9% na comparação entre fevereiro e março, o menor patamar desde setembro de 2005, quando a série foi iniciada. Do lado dos consumidores, a estratégia é para deixar de comprar produtos não essenciais e substituir marcas mais caras por mais baratas, além de torcer para que as medidas amargas tomadas pela equipe econômica ? corte de gastos e aumento de juros ? surtam efeito no curto e médio prazos. O controle da inflação foi uma conquista de toda a sociedade, depois de décadas. O atual governo se descuidou um pouco dessa parte e agora precisa agir rápido e certeiro para que o País não volte a ser devorado pelo dragão.

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