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Engenharia alagoana II

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VINÍCIUS MAIA NOBRE * Em 1958 conheci Celso Araújo Silva, estudante do Colégio Estadual, trabalhando como estagiário no Departamento de Obras Públicas (DOP). Nascido em 2 de dezembro de 1942, tinha 16 anos incompletos e já era muito elogiado pelos seus chefes imediatos do departamento. Filho de uma família pobre, morava no bairro da Ponta Grossa. Seu pai era um sapateiro que, para sustentar e educar a enorme prole, necessitava da ajuda dos filhos. No início do estágio, o trabalho que deram ao Celso consistia em expor ao sol os detalhes em papel vegetal para reproduzi-los no papel heliográfico ou copiativo. Tarefa fatigante e até certo ponto descabida para aquele jovem inteligente e promissor. Logo lhe deram a função de arquivista e assim foi aprendendo outras, a exemplo de auxiliar de desenho e, finalmente, desenhista na Divisão Técnica do DOP. Em convivência com engenheiros e arquitetos de sua repartição, estimulado por eles, Celso decidiu estudar engenharia. Em 1963 fez seu exame de vestibular e logrou aprovação numa excelente colocação. Na escola de Engenharia foi um bom aluno e não é exagero afirmar que surgiu como um dos melhores de seu tempo. Brincalhão, amigo de todos, logo adquiriu um apelido que não o largou mais: Xexéu. Em nosso escritório, exerceu atividades como desenhista de arquitetura. Quando cursava o 4º e 5?º anos de engenharia, colaborou em diversos projetos e cálculos estruturais. No meu arquivo ainda encontro o detalhamento da maior ponte até então executada no Estado, sobre o Rio Ipanema, em Batalha, a barragem sobre o Ouricuri, o aqueduto de Santana do Ipanema e do edifício do Colégio Imaculada, em Penedo, todos com seus impecáveis desenhos. Amigo fiel, guardo dele as melhores lembranças. Certa vez, Xexéu ganhou um jipe no bingo promovido pela Fape. Todo risonho, foi mostrar-me o veículo dizendo que iria vendê-lo para adquirir um apartamento onde sua família pudesse morar. E assim o fez, demonstrando seu zelo e amizade aos pais. Antes de se graduar, ingressou em 1966 no Serviço de Águas e Esgotos de Maceió, o conhecido SAEM. Em 1968, já como engenheiro, desenvolveu muitos projetos ligados ao saneamento básico de Maceió e, como conseqüência de suas novas atividades ? aliás, muito mais sociais ? foi se credenciando como um profissional voltado àquele setor da engenharia. Na época do governo Lamenha Filho, o SAEM foi incorporado à Casal e o nosso colega se juntou a outros não menos conhecidos engenheiros daquela companhia. Em fevereiro de 1971 seguiu para São Paulo, a fim de fazer curso de pós-graduação em Engenharia Sanitária na Faculdade de Saúde Pública da USP. Conheceu durante o curso aquela que mais tarde seria sua esposa, Sônia Bombonati. No ano seguinte volta a Maceió. Mas Celso já era produto de exportação. Depois de cumprida suas obrigações de permanecer na Casal por um mínimo de 2 anos, aceitou o convite formulado pelo renomado professor Azevedo Neto ? autor de vários livros sobre saneamento básico ? para trabalhar em sua firma de consultoria, a Planidro. Em 1974 lá se foi mais um Silva de mudança! Naquele mesmo ano, casou-se com sua Sônia e logo teve o primeiro filho. Seguiu prestando consultoria pela firma do Azevedo Neto, viajando muito ? tanto por São Paulo como pelo país vizinho, o Paraguai. Em 1978 quis o destino pregar uma peça ao nosso Celso. Foi acometido de uma infecção renal, que o levou à morte em outubro daquele ano. Todos seus amigos e colegas de Alagoas ficaram muito consternados com a sua perda. A viúva estava grávida pela segunda vez e, meses após seu falecimento, deu a luz a uma menina . Em sua homenagem, o governador Geraldo Melo emprestou o nome do Eng. Celso Araújo Silva à ponte sobre o canal da Massagueira, constante da travessia do complexo lagunar, na AL-101/Sul. Recentemente, a Secretaria de Infra-estrutura de Alagoas restabeleceu as placas indicativas naquela ponte, gesto que todos nós agradecemos. Aqui, neste espaço que a Gazeta nos concede, continuarei a resgatar a memória da engenharia alagoana, seus vultos e seus feitos na montagem da infra-estrutura tão necessária ao desenvolvimento do Estado. (*) É ENGENHEIRO

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