Opinião
Identidade cultural
JOSÉ MEDEIROS * O impacto dos meios de comunicação sobre a vida das pessoas é cada vez mais intenso. É um assunto que não sai do palco de discussões, análises e apreciações. Até onde vai essa influência sobre valores e comportamentos de adolescentes e jovens? Muitas vezes, pai, mãe e escola estabelecem linhas de orientação sobre o que consideram razoável para a educação de seus filhos. Na contramão desses ensinamentos vêm as influências da mídia, principalmente da televisão, através de programas, novelas e minisséries que difundem ? de maneira clara ou imperceptível ? conceitos e opiniões; insinuam modos de pensar e de ver, que nem sempre são coincidentes com as opiniões das famílias. Trata-se de luta desigual, que lembra a batalha entre o pequeno Davi contra o gigante Golias, da história bíblica. Eu conheço o caso de uma adolescente que estava em visita à casa de parentes; nessa noite, acompanhavam uma novela de televisão. Sua mãe lhe recomendara não assistir a esse programa, que considerava impróprio para sua idade. Surpreendentemente, a garota ficou de costas para a tevê enquanto durou a novela. Uma cena pouco comum nos dias de hoje: limites anteriormente combinados estavam sendo obedecidos. Segundo opiniões de especialistas, os jovens vêem, aproximadamente, vinte horas semanais de tevê (filmes, videocassetes, DVDs ou outras formas de comunicação eletrônica). Esses números rivalizam com as horas que o estudante permanece nas salas de aula. Conhecido produtor cinematográfico de Hollywood põe mais lenha nessa fogueira quando faz análise objetiva sobre outra mídia, o cinema. Afirma: ?Eu estaria mentindo e seria um idiota, se dissesse que as pessoas não imitam o que vêem na tela. É claro que imitam, que absorvem esses influxos. Seria impossível pensar que nossas roupas, nossa música, nossa aparência, não são imitadas. De igual maneira, tentam imitar nossa violência e numerosas outras ações nitidamente anti-sociais.? Refletindo sobre esses fatos, vale a pena pensar num melhor aproveitamento dos meios de comunicação; no que há de bom e correto em suas programações, seja em forma de entretenimento ou de informação. Uma minissérie que está sendo exibida na tevê, com muito sucesso, é baseada na história da Revolução Farroupilha. Mostra uma ação épica desenvolvida no Século XIX. Cores, luzes e ação têm forte apelo e chamamento à efetividade popular. Cria-se uma empatia com a figura do herói General Bento Gonçalves, nome que tem lugar próprio na identidade cultural da gente gaúcha. O Nordeste brasileiro tem ricas histórias que merecem ser contadas. Alagoas foi palco de numerosas insurreições, revoltas e lutas armadas ? também no Século XIX ? que fariam sucesso na televisão e no cinema, se divulgadas. E, além disso, há belezas naturais indescritíveis, dignas dos melhores cenários televisivos. Faltam-nos outros ?Cacás Diegues? que divulguem as riquezas de nossa diversificada cultura. (*) É MÉDICO E EX-SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO E DE SAÚDE