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Nº 5730
Opinião

� MARCOS DAVI MELO – m�dico e membro da AAL e do IHGAL

Pouco tempo depois de deixar Porto Alegre e chegar ao Rio de Janeiro, Elis Regina, então uma jovenzinha cantora gaúcha, foi apresentada a Tom Jobim para que o maestro fizesse uma avaliação daquela pimentinha .Tom escutou-a, cochichou que dali não sairia n

Por | Edição do dia 12/06/2015 - Matéria atualizada em 12/06/2015 às 00h00

Pouco tempo depois de deixar Porto Alegre e chegar ao Rio de Janeiro, Elis Regina, então uma jovenzinha cantora gaúcha, foi apresentada a Tom Jobim para que o maestro fizesse uma avaliação daquela pimentinha .Tom escutou-a, cochichou que dali não sairia nada, deu umas desculpas e foi tomar um chope. Dez anos depois, já consagrada, Elis – conjuntamente com alguns músicos comandados por Cesar Mariano, então seu marido – procurou Jobim em Los Angeles, onde morava: ao final de vinte dias, estava pronto o “Elis e Tom”, um disco que entraria para a antologia dos melhores discos de todos os tempos. Quando o Fino da Bossa, apresentado por Elis e Jair Rodrigues, estava no auge, surgiu o programa Jovem Guarda, que reunia nas tardes dos domingos um grupo de cabeludos, comandados por Roberto, Erasmo e Wanderléa. O programa fez tanto sucesso que a turma da MPB, enciumada, foi pras ruas, protestando contra a influência estrangeira, na “Passeata da Queima das Guitarras”, liderada por Elis, Edu Lobo, Gilberto Gil, Chico e outros. Elis esteve na alcova de muitos homens, traiu e foi traída repetidamente, fez cafajestadas de todo tipo, mas, paralelamente, lançou talentos como Milton Nascimento, João Bosco e Aldir Blanc. Suas interpretações de clássicos da MPB são monumentos insuperáveis e eternos do que pode existir de melhor na nossa música. Sua biografia “Nada Será Como Antes”, de Júlio Maria, lançada recentemente ( como anteriormente a de Carmen Miranda, de Ruy Castro) é deliciosa, como suas músicas. Suas fraquezas e mesquinharias em nada diminuem seu imenso talento. Muitos daqueles grandes astros que queriam queimar as guitarras e alguns que as tocavam se uniram no grupo “Procure Saber” para censurar previamente as suas possíveis biografias, mas alguém alertou: muito do que hoje se sabe da História em relação a costumes políticos e sociais, advém do que foi escrito sobre o perfil de grandes personalidades. O direito à privacidade de pessoas públicas tem a defendê-las de calúnias, mentiras e difamações, no Código Penal. Espera-se também que os autores de biografias sejam mais responsáveis e escrevam coisas mais próximas da verdade. A sessão histórica do STJ que referendou a liberdade de expressão no Brasil, permitirá que venham a lume as biografias de Chico, Cateno, Gil e Roberto Carlos, mas também de Guimarães Rosa e Manuel Bandeira, e, provavelmente, nada que surja nelas reduzirá o valor de sua arte e de suas obras.

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